Brasil Defesa de Lula insiste para que Tacla Duran seja ouvido por Moro 

Defesa de Lula insiste para que Tacla Duran seja ouvido por Moro 

Advogados do ex-presidente querem que ex-funcionário da Odebrecht seja ouvido em incidente de falsidade contra documentos da construtora 

Defesa de Lula insiste para que Tacla Duran seja ouvido por Moro 

Defesa de Lula solicita depoimento de Tacla Duran

Defesa de Lula solicita depoimento de Tacla Duran

Rafael Arbex/Estadão Conteúdo - 27.01.2018

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou que o juiz Sérgio Moro autorize o depoimento do advogado e ex-funcionário da Odebrecht, Rodrigo Tacla Duran, no âmbito do incidente de falsidade, em que é questionada a idoneidade de documentos entregues pela empreiteira no acordo de colaboração. O pedido foi feito na noite de segunda-feira (29).

Para os advogados de Lula, o depoimento de Duran pode mostrar que os sistemas e documentos da Odebrecht apresentados pelo (MPF) Ministério Público Federal foram adulterados.

Esta é a quarta vez que a defesa do ex-presidente solicita o depoimento de Duran. Em uma das decisões, o magistrado escreveu que a “palavra da pessoa envolvida, em cognição sumária, em graves crimes e desacompanhada de quaisquer provas de corroboração não é digna de crédito”.

Tacla Duran é acusado de lavagem de dinheiro e organização criminosa. O ex-funcionário da Odebrecht teve a prisão preventiva decretada, mas fugiu para a Espanha. Ele foi preso em Madri, em novembro de 2016, a pedido da Justiça brasileira, mas por ter cidadania espanhola, não foi extraditado e responde o processo em liberdade.

Aluguel de imóvel para Lula

A nova tentativa da defesa de Lula para autorização do depoimento de Duran ocorre após Moro reconsiderar o pedido de Glaucos da Costamarques sobre a disponibilização da cópia de vídeos do Hospital Sírio-Libanês, com o objetivo de provar que o advogado Roberto Teixeira o teria visitado no local para que ele assinasse recibos do aluguel de um prédio em São Bernardo do Campo (SP), vizinho ao de Lula e usado pelos seguranças do ex-presidente.

Moro, que já tinha negado o pedido, reconsiderou em um despacho do dia 16 de janeiro, que a defesa de Costamarques tenha acesso aos vídeos. Na decisão, o juiz justifica a autorização do pedido “Em vista da insistência da Defesa de Glaucos da Costamarques na produção da prova”.

Depoimento CPI JBS

Em novembro do ano passado, Duran em depoimento à CPI da JBS, disse que o sistema de propinas da empresa, que era chamado de Drousys, foi adulterado. O depoimento à CPI foi feito por videoconferência, já que ele se encontra na Espanha.

Duran também disse que chegou a receber de procuradores da força-tarefa da Lava Jato uma minuta de um acordo, mas que desistiu porque lhe imputavam crimes que não cometeu.

Ele ainda contou ter contratado o advogado Carlos Zucolotto Junior, em Curitiba, para negociar uma delação premiada. Zucolotto, que é amigo e padrinho de casamento de Moro, teria oferecido redução de uma multa de US$ 15 milhões, para US$ 5 milhões. Os honorários seriam pagos por fora.

À época, em nota, o juiz Sergio Moro confirmou a amizade com o advogado e disse que a acusação de Duran é falsa. Ele ainda acrescentou que o ex-funcionária da Odebrecht é foragido da Justiça e não merece crédito.

A força-tarefa da Lava Jato também se pronunciou. Ela repudiou as afirmações de Duran e disse que a delação premiada dele foi encerrada por ser incompatível com os requisitos legais.