Delta recebeu por obras que não saíram do papel, revela MPF

PF mira o dono da empreiteira Delta e Carlinhos Cachoeira por lavagem de R$370 milhões

Fernando Cavendish, dono da Delta Construções

Fernando Cavendish, dono da Delta Construções

Ed Ferreira/29.08.2012/Estadão Conteúdo

As investigações da Operação Saqueador, do Ministério Público Federal no Rio e da Polícia Federal, mostram que a empreiteira Delta recebeu dinheiro público para executar obras que sequer saíram do papel. É o caso da transposição do Rio Turvo, no Sul do Estado do Rio, para a qual foram destinados R$ 80 milhões. A transposição jamais aconteceu, sendo a denúncia apresentada nesta quinta-feira (30) pelo MPF.

Outras obras da Delta que constam da denúncia são a de construção do Parque Aquático Maria Lenk, no município do Rio, para servir a competições dos Jogos Pan Americanos realizados na cidade em 2007, que custou R$ 60 milhões, e a de despoluição da Lagoa de Araruama, na Região dos Lagos do Rio, no valor de R$ 5,6 milhões.

No primeiro caso, a empreiteira se beneficiou de uma dispensa indevida de licitação por parte da prefeitura do Rio.

No segundo, o dono da Delta, Fernando Cavendish, é acusado de ter recebido integralmente o dinheiro público e de não efetuar todos os serviços contratados. Cavendish foi condenado a quatro anos e meio de prisão em regime semiaberto pelo desvio dessa verba.

O empresário e outras 22 pessoas foram denunciados hoje pelo MPF pela lavagem de R$ 370 milhões em recursos públicos federais pela empreiteira Delta Construções SA e por 18 empresas de fachada, abertas com este fim. Cavendish teve a prisão preventiva decretada, mas está foragido, possivelmente na Europa, segundo a PF.

O bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na operação, juntamente com o empresário Adir Assad. Procurado pela PF,o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta Construções, está na Europa.