Brasil Denúncia contra Glenn viola a liberdade de imprensa, diz Abraji

Denúncia contra Glenn viola a liberdade de imprensa, diz Abraji

Jornalista do site The Intercept Brasil é acusado de ter participado ativamente da quebra de sigilo de conversas de autoridades públicas

Glenn Greenwald

Greenwald foi denunciado por associação criminosa

Greenwald foi denunciado por associação criminosa

Marcos Oliveira/Agência Senado - 11.07.2019

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) afirmou nesta terça-feira (21) que a denúncia apresentada pelo MPF (Ministério Público Federal) contra o jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil, viola a liberdade de imprensa.

Na ação, Greenwald foi denunciado pelos crimes de associação criminosa pela invasão de equipamentos de comunicação e interceptação ilegal de comunicações.

O jornalista é acusado de ter participado ativamente da quebra de sigilo de conversas de autoridades públicas investigada na Operação Spoofing, que investiga crimes relacionados à invasão de celulares de autoridades brasileiras: procuradores da força-tarefa da operação Lava-Jato e do então juiz federal Sérgio Moro.

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"A denúncia contra Glenn Greenwald é baseada em uma interpretação distorcida das conversas do jornalista com sua então fonte. Tem como único propósito constranger o profissional, como o texto da denúncia deixa ver: por duas vezes, o procurador refere-se a Greenwald com o termo jornalista entre aspas, como se ele não se qualificasse como tal - e como se coubesse a um membro do MPF definir quem é ou não jornalista", destaca a Abraji.

A associação afirma ainda que é "um absurdo" o que classificou como "perseguição" do Ministério Público a um jornalista para "violar o direito dos brasileiros de viver em um país com imprensa livre e capaz de expor desvios de agentes públicos". "A Abraji repudia a denúncia e apela à Justiça Federal para que a rejeite, em respeito não apenas à Constituição, mas à lógica", diz a nota.

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Na ação apresentada nesta terça, o procurador Wellington Divino Marques de Oliveira, que assina a denúncia, afirma que Greenwald aconselhou Luiz Molição, um dos envolvidos no hackeamento de aplicativos de mensagens, a apagar arquivos “para dificultar as investigações e reduzir a possibilidade de responsabilização penal”. Para a Abraji, "os diálogos apresentados como provas não confirmam as acusações do promotor".

"Em um deles, Greenwald responde a uma preocupação expressa por Molição sobre o que fazer com o material que havia enviado ao Intercept e que seria publicado na série de reportagens Vaza Jato. O jornalista apenas diz que já armazenou as mensagens em local seguro, que não vê necessidade de o grupo manter os arquivos e manifesta preocupação em proteger a identidade do grupo de Molição como fonte das reportagens. Greenwald não sugere, orienta ou ordena a destruição do material", analisa a associação.