Denúncias de violência contra a mulher cresceram 37%, diz Damares

Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos avalia que quarentena "colocou o predador e a presa dentro do mesmo ambiente"

Damares afirma que os dados recentes "apavoram"

Damares afirma que os dados recentes "apavoram"

Marcello Casal Jr/Agência Brasil - 13.04.2020

A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, afirmou nesta quarta-feira (22) que o volume de denúncias de violência contra a mulher saltou 37% durante a pandemia do novo coronavírus.

"Os números nos apavoram e nos deixam angustiadas", disse a ministra durante live promovida pelo Ieja (Instituto de Estudos Jurídicos Aplicados).

Damares afirma que o aumento dos casos de violência contra a mulher não é uma realidade só do Brasil e, por isso, "já eram esperados" pela pasta. "A quarentena obrigou a deixar dentro do mesmo ambiente de casa o agressor e a vítima, o predador e a presa", pontou ela.

Leia mais: Governo estuda penas mais rígidas para violência sexual

"Quando eu saio do nosso canal, o ligue 180, o número [de denúncias] é bem maior", relatou Damares ao citar o caso do Acre, que aponta para um crescimento de 600% no volume de denúncias. “Tenho pedido a Deus para que essa pandemia acabe logo. As mulheres estão sofrendo muito”, lamentou.

Seguindo já os exemplos dos países que enfrentaram a pandemia antes do Brasil, Damares revela que o papel inicial do governo federal foi garantir o pleno funcionamento da rede de proteção. "Nosso grande trabalho foi conscientizar as mulheres de que, mesmo durante a pandemia, elas teriam proteção do Estado", afirmou a ministra.

“Isso é um legado que a pandemia vai deixar. Estamos trabalhando junto ao Ministério da Justiça e às Secretarias de Segurança de todos os Estados para que a delegacia online para o registro da violência doméstica seja uma realidade no Brasil”, disse Damares.

Também participaram do debate virtual sobre o enfrentamento da violência contra a mulher a ministra Cármen Lúcia, do STF (Supremo Tribunal Federal), a presidente do Magazine Luiza, Luiza Trajano, a presidente da Anup (Associação Nacional de Universidades Particulares), Elizabeth Guedes, e a especialista em educação étnico-racial Adriana Vasconcelos.