Brasil Desembargador do TRF4 nega saída de Lula para velório do irmão

Desembargador do TRF4 nega saída de Lula para velório do irmão

Defesa do ex-presidente pediu autorização às 15h50 de terça-feira (29) para que ele saísse da prisão. O velório acontece na manhã desta quarta (30)

Lula

Paulsen era magistrado de plantão nesta madrugada

Paulsen era magistrado de plantão nesta madrugada

Sylvio Sirangelo/TRF4

O desembargador do TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) Leandro Paulsen negou a saída do ex-presidete Luiz Inácio Lula da Silva para ir ao velório do irmão, Genival Inácio da Silva, que morreu na terça-feira (29) aos 79 anos, vítima de um câncer no pulmão. 

O enterro e o velório de Genival acontecerão no Cemitério Paulicéia, em São Bernardo do Campo (SP) na manhã desta quarta. A defesa de Lula entrou com a autorização para que o petista pudesse ir ao enterro às 15h50 de terça. 

De plantão durante a madrugada, Paulsen recebeu o pedido de habeas corpus depois da juíza Carolina Lebbos, da Vara de Execuções Penais de Curitiba, negar a saída de Lula da prisão. 

Paulsen afirma que "o indeferimento [da PF], portanto, não foi arbitrário ou infundado. Pelo contrário, está adequado à situação concreta".O desembargador descreve os pontos citados pela PF como motivos para impedir a saída de Lula. São eles: a indisponibilidade de helicóptero da PF, já que a frota está sendo utilizada em Brumadinho (MG), inviabilidade de uso de avião da PF, manifestação do Secretário de Segurança Pública, que afirma que não há policiais suficientes para translado, e possibilidade de manifestações. 

Além disso, Paulsen diz que o translado exigiria custos, principalmente para montar uma equipe responsável pela segurança. "Em um momento de enorme crise financeira, em que diversos Estados da Federação declaram-se em situação de calamidade, em que a própria União tem enfrentado deficits orçamentários, não é aceitável que, para assegurar a um preso o direito a participar do velório de um parente, se proceda a enormes gastos, mobilizando recursos materiais e humanos em profusão, da noite para o dia", escreve em despacho.

A magistrada havia acolhido a manifestação do MPF (Ministério Público Federal) e seguiu o ofício da PF (Polícia Federal), que negou, em decisão administrativa, o comparecimento do petista ao velório.

Segundo a PF, a saída não seria viável pela "indisponibilidade do transporte aéreo em tempo hábil para a chegada do ex-presidente Lula antes do final dos ritos post mortem de seu irmão".

Lula está preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba desde 7 de abril de 2018. O ex-presidente foi condenado a 12 anos e 1 mês de prisão no caso do triplex do Guarujá, no âmbito da operação Lava Jato.