Desmatamento da Amazônia cresce 278% e atinge 2.254 km² em julho

Área equivale a um terço dos 6.833 km² desmatados nos últimos 12 meses, entre agosto de 2018 e julho de 2019, segundo dados do Deter

Desmatamento da floresta Amazônica

Desmatamento da floresta Amazônica

Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo - 13.09.2016

A área desmatada da Amazônia em julho atingiu uma área total de 2.254 km². Isso equivale a mais de um terço de todo o volume desmatado nos últimos 12 meses, entre agosto de 2018 e julho de 2019, período em que o volume total do desmatamento chegou a 6.833 km².

Leia também: Novo chefe do Inpe, coronel promete transparência total

Os dados são do Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter), ferramenta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que fiscaliza ações de desmatamento. O volume de 6.833 km² verificado entre agosto de 2018 a julho de 2019 supera em 33% o desmatamento medido nos 12 meses anteriores.

Para evitar distorções, esses números consideram apenas as três categorias de corte de vegetação que o próprio governo identifica como desmatamento efetivo: desmatamento com solo exposto, desmatamento com vegetação e mineração.

Leia também: Desmatamento: 'Está em jogo a soberania do país', diz Carlos Nobre

Se observado apenas o desmatamento de julho deste ano, o volume chegou a 2.254,8 km² de devastação, um volume 278% maior que o verificado em julho de 2018, quando foram registrados 596,6 km² de desmatamento.

Desde maio, o governo tem desmentido os dados oficias do Inpe. Quando foram divulgados os piores índices de desmatamento verificados na última década, com uma média de 19 hectares de vegetação derrubada por hora, o governo passou a confrontar as informações oficiais, colocando em xeque os dados que são divulgados pelo próprio setor público.

A divulgação dessas informações tem incomodado profundamente o governo. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) considerou mentirosos dados divulgados pelo Inpe sobre o aumento do desmatamento da Amazônia. Na última sexta-feira (2), ele exonerou Ricardo Galvão da chefia do órgão.

O coronel da reserva da Aeronáutica Darcton Policarpo Damião foi escolhido para assumir interinamente o comando do Inpe. O novo diretor efetivo só será escolhido por uma lista tríplice que será montada por comissão.

Nesta terça-feira (6), o ministro da Ciência e Tecnologia, Inovação e Comunicação, Marcos Pontes, afirmou que mantém no cargo o novo diretor do Inpe, mesmo se forem confirmados os dados produzidos pelo órgão sobre desmatamento.