Julgamento do mensalão
Brasil Dirceu, Genoino, Valério e mais sete condenados do mensalão se entregam

Dirceu, Genoino, Valério e mais sete condenados do mensalão se entregam

Ex-ministro-chefe da Casa Civil e ex-presidente do PT se apresentaram à PF em São Paulo

Dirceu, Genoino, Valério e mais seis condenados do mensalão se entregam

Considerado o operador do esquema do mensalão, Marcos Valério se entregou por volta das 21h desta sexta-feira (15) à Polícia Federal em Belo Horizonte. Ele foi condenado a 40 anos e quatro meses de prisão por formação de quadrilha, corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O publicitário ainda terá que pagar R$ 2,78 milhões em multas.

Minutos antes, o ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha, se apresentou na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. Ele está em companhia do deputado federal José Genoino (PT-SP) que foi o primeiro condenado no processo do mensalão a se apresentar à Superintendência da PF na capital paulista após a decretação das prisões pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

No total, o STF pediu a prisão de 12 condenados dos quais dez já se encontram detidos. São eles: José Dirceu, José Genoíno, Marcos Valério, Cristiano Paz, Jacinto Lamas, Simone Vasconcelos, Katia Rabelo, Romeu Queiroz, Ramon Hollerbach e José Roberto Salgado.  

A Polícia Federal ainda aguarda dois condenados, o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, que se manifestou por meio do seu advogado afirmando que se entregará apenas na manhã deste sábado (16) e Henrique Pizzolato, ex-diretor de marketing do Banco do Brasil.   

Genoino e Dirceu

O ex-presidente do PT, José Genoino se apresentou à polícia por volta das 18h e foi recebido por 20 militantes aos gritos de "Viva Genoino". Ele chegou à sede da PF em São Paulo acompanhado pela mulher no carro de seu advogado, Luiz Fernando Pacheco.

Ao descer do veículo, que era guiado por seu advogado, o deputado fez sinais de vibração, erguendo o braço com o punho cerrado. Ele foi condenado por formação de quadrilha e corrupção ativa no julgamento do mensalão.

O advogado José Luis de Oliveira Lima, defensor de Dirceu, afirma que vai pedir para que o ex-ministro da Casa Civil cumpra a pena em São Paulo. “Na capital, onde ele reside e trabalha”, afirmou.

Assim como a defesa de José Genoino, Lima questionou o fato de seu cliente – que deve cumprir a pena em regime semiaberto – ser mantido na carceragem da Polícia Federal. 

Ele disse que Dirceu não teve contato com Genoino na sede da PF em São Paulo. O advogado acrescentou que, mesmo em semiaberto, seu cliente não deve dar entrevistas. “Não é o momento para ele se manifestar.”

Outros sete se entregam em Minas e Brasília

Seis condenados do mensalão se entregaram à Polícia Federal em Belo Horizonte. A primeira a comparecer à sede da Superintendência da capital mineira foi Simone Vasconcelos, ex-funcionária de Marcos Valério.

Simone foi condenada a 12 anos e sete meses de prisão por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e evasão de divisas.

Cristiano Paz, ex-sócio de Valério, também se entregou cerca de duas horas após a expedição dos mandados de prisão pelo STF (Superior Tribunal Federal). Ele foi condenado a 25 anos de prisão.

Condenado a seis anos por lavagem de dinheiro e corrupção passiva, o ex-deputado do PTB Romeu Queiroz também se entregou em Belo Horizonte.

A antepenúltima a se entregar na PF em Belo Horizonte foi Kátia Rabello, ex-presidente do Banco Rural. Ela foi condenada a 16 anos e 8 meses de prisão. 

Kátia chegou à sede da PF em uma BMW e não falou com a imprensa. Ela cumprirá pena por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e evasão de divisas.

Logo depois, o publicitário e ex-sócio de Marcos Valério, Ramon Hollerbach, condenado por formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas se entregou.  

O último a comparecer a sede da PF em Belo Horizonte, por volta das 23h, foi o ex-vice-presidente do Banco Rural José Roberto Salgado. Ele foi condenado a nove anos e 10 meses de prisão por formação de quadrilha, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta.  

Em Brasília, o ex-tesoureiro do PL (atual PR), Jacinto Lamas, condenado por lavagem de dinheiro e corrupção passiva se entregou na sede da Polícia Federal. Ele chegou acompanhado do advogado e cobriu o rosto para não ser fotografado.