CPI da Covid

Brasil Diretor da Anvisa diz que não tomou cloroquina contra a covid

Diretor da Anvisa diz que não tomou cloroquina contra a covid

Barra Torres negou o uso do remédio quando esteve infectado pela doença, em maio de 2020, ao falar a senadores na CPI da Covid

  • Brasil | Gabriel Croquer, do R7

Torres afirmou que medicamento ainda não tem eficácia comprovada contra a covid-19

Torres afirmou que medicamento ainda não tem eficácia comprovada contra a covid-19

Jefferson Rudy/Agência Senado - 11.05.2021

 O diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, fechou seu depoimento na CPI da Covid nesta terça-feira (11) negando que tomou cloroquina durante sua infecção pela covid-19, em maio de 2020. A resposta veio após a última pergunta da sessão, do senador Humberto Costa (PT-ES), em um de muitos posicionamentos contrários ao medicamento expostos por Barra Torres durante sua oitiva. 

Durante mais de seis horas de depoimento, Barra Torres, que também é médico de formação,  afirmou ser contrário à aplicação da substância em qualquer fase do tratamento da covid-19. Ele, porém, citou um estudo em aberto para avaliar dados da aplicação do remédio em casos leves de infectados, que poderia trazer novas conclusões sobre a cloroquina.

O estudo deve ser finalizado em dezembro deste ano, segundo o Barra Torres. "Mas, até o presente momento, não há indicação de uso", pontuou.

O almirante confirmou que estava na reunião interministerial na qual se cogitou mudar a bula do medicamento por meio de decreto, para colocar o produto como alternativa oficial ao tratamento da covid-19, ao qual Barra Torres disse ter se oposto com firmeza na ocasião. O depoimento se somou ao do ex-ministro da Saúde, Henrique Mandetta, que foi o primeiro a divulgar a reunião na CPI.

Segundo Barra Torres, estavam na reunião o então ministro da Casa Civil (hoje da Defesa), Walter Braga Netto, o ex-ministro da Saúde Mandetta e a médica defensora da cloroquina e do tratamento precoce Nisa Yamaguchi.

Em determinado momento, contou, a doutora Nise Yamagushi sugeriu a mudança na bula e ele prontamente rejeitou a ideia. "Minha reação foi imediata, dizendo que aquilo não poderia ser", disse aos senadores.

Spray nasal

O spray nasal, outro medicamento propagandeado por pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como possível tratamento precoce contra a covid-19, também foi citado por Barra Torres durante seu depoimento. 

"Não tivemos mais notícias, pelo menos que eu me lembre aqui, dessa questão do spray nasal" afirmou, em resposta ao senador Fabiano Contarato (Rede-ES), pontuando que iria confirmar a informação com os técnicos da Anvisa posteriormente.

Em fevereiro deste ano, uma comitiva de dez pessoas, liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, viajou a Israel para assinar acordo de entendimento sobre o spray nasal Exocd24. Em testes iniciais, o medicamento teria ajudado na recuperação de pacientes graves e moderados de covid-19.

O objetivo era fazer com que a terceira fase de testes seja realizada com pacientes brasileiros.

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