Brasil Discurso de Bolsonaro terá destaque em Fórum Econômico Mundial

Discurso de Bolsonaro terá destaque em Fórum Econômico Mundial

Evento acontecerá em Davos, na Suíça, na próxima semana. Fala do presidente será a principal do primeiro dia de debates

Davos

Discurso deve ter entre 30 e 45 minutos

Discurso deve ter entre 30 e 45 minutos

Carolina Antunes/Presidência da República

O presidente Jair Bolsonaro será o primeiro presidente latino-americano a falar na sessão inaugural do Fórum Econômico Mundial, que começa na semana que vem na Suíça.

O interesse internacional pelo Brasil e a curiosidade em torno do novo governo levaram os organizadores a dar um espaço privilegiado a Bolsonaro. O lugar dele em Davos estava sendo cuidadosamente negociado entre o Itamaraty e os organizadores desde sua vitória nas eleições em outubro.

Klaus Schwab, fundador do evento, já havia antecipado na terça-feira (15) para a imprensa brasileira que o presidente seria "muito bem recebido" na estação aos pés da Montanha Mágica.

O discurso de Bolsonaro, que deve ter entre 30 minutos e 45 minutos, será uma espécie de apresentação do presidente à elite das finanças internacionais e à imprensa global. A sessão de abertura costuma ser acompanhada com atenção especial, já que dá o tom do evento. O fórum começa na segunda-feira à noite. A fala de Bolsonaro será a principal do primeiro dia de debates, na terça-feira (22).

Abertura comercial, reforma da Previdência e combate à corrupção estarão no centro do discurso, que também servirá para tentar desfazer uma imagem que, até agora, tem sido negativa no cenário internacional. Não serão permitidas perguntas após o discurso.

Em Davos, Bolsonaro também participará de um jantar com outros presidentes da América Latina. Mas o evento ocorre fora do centro de congressos. Encontros bilaterais estão sendo agendados.

Uma das expectativas da diplomacia brasileira era de que, em Davos, Bolsonaro se encontrasse pela primeira vez com o presidente americano Donald Trump - o que acabou se frustrando porque Trump cancelou sua ida ao evento.

Pressão. Bolsonaro não ficará isento de pressão, principalmente no que se refere ao capítulo climático. O fórum tem ampliado a cada ano os debates sobre mudanças climáticas e, segundo o departamento que lida especificamente sobre o assunto em Davos, o objetivo é conseguir um compromisso das grandes multinacionais para reverter a tendência relativa às emissões de CO². Do Brasil portanto, também se espera um compromisso nessa área.

ONGs internacionais que estarão em Davos devem buscar esclarecimentos sobre a posição do governo brasileiro em relação a questões como direitos humanos.

Criatividade

Outra mensagem que o Brasil levará ao fórum é a de que quer fazer parte dos governos que vão desenhar a "nova OMC". No dia 25, o chanceler Ernesto Araújo participará de uma reunião ministerial que, no fundo, dará o pontapé inicial para o processo de reforma da entidade. Em Genebra, chamou a atenção que seu discurso de posse tenha citado especificamente a reforma da OMC, indicando que o Brasil quer ter um papel central nesse processo. Mas também com "criatividade".

O País vai insistir que questões ligadas à agricultura sejam contempladas na reforma da OMC, para que não esteja focada apenas em "novos temas", de interesses dos países desenvolvidos. Uma das prioridades da reforma, porém, é encontrar uma solução para o impasse na escolha dos juízes dos tribunais da entidade. Se a crise não for superada até o fim do ano, o órgão deixaria de funcionar, provocando uma paralisação no sistema legal internacional. O processo, segundo diplomatas, deve levar 18 meses, período que muitos chamam de "refundação" da OMC.