Brasil Discutir impeachment de Bolsonaro será inevitável no futuro, diz Maia

Discutir impeachment de Bolsonaro será inevitável no futuro, diz Maia

Presidente da Câmara até dia 2, Maia diz que foco atual é salvar vidas. Ele pede o retorno dos trabalhos do Congresso no recesso

  • Brasil | Do R7

Maia e Doria no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo

Maia e Doria no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo

Foto: VINICIUS NUNES/AGÊNCIA F8/ESTADÃO CONTEÚDO 15.01.2021

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta sexta-feira (15) considerar inevitável "no futuro" que pedidos de impeachment do presidente Jair Bolsonaro sejam debatidos no Legislativo.

A afirmação se deu em entrevista coletiva após almoço promovido pelo governador de São Paulo, João Doria, em apoio à candidatura do deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP) à presidência da Câmara. Rossi é o candidato do grupo de Maia, que não poderá concorrer novamente e deixará a Presidência da Câmara após a eleição do próximo dia 2.

Questionado sobre os pedidos de impeachment, Maia afirmou que a prioridade no momento é o combate à pandemia.

"Acho que esse tema [impeachment], de forma inevitável, certamente será debatido no futuro. Mas acho que nesse momento, com vidas perdidas, [é] a gente trocar o foco do que é principal, mesmo sabendo que há uma desorganização, uma falta de comando por parte do Ministério da Saúde, e que nós precisamos de forma definitiva que o governo federal assuma sua responsabilidade sobre a coordenação do sistema de saúde, porque esse é papel do governo federal no sistema SUS", afirmou.

O presidente da Câmara já recebeu mais de 60 pedidos visando ao impeachment de Bolsonaro e recebe pressões nas redes sociais após o agravamento da crise em Manaus. 

Também nesta sexta, Maia encaminhou ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), um pedido para que convoque a Comissão Representativa, um grupo de 23 parlamentares que podem ser chamados para atuar no recesso do Poder Legislativo, que termina no início de fevereiro. Alcolumbre é também o presidente dessa comissão, e Maia é o vice.

Almoço com Doria

Maia e Baleia Rossi participaram do almoço oferecido pelo governador João Doria no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. O PSDB é um dos 11 partidos que anunciaram oficialmente apoio a Rossi, ainda que parte dos deputados da legenda deva votar no principal opositor, o deputado Arthur Lira (PP-AL), que tem o apoio do presidente Jair Bolsonaro.

Após o encontro, Doria, Maia e Rossi concederam entrevista coletiva na qual o governador de São Paulo subiu o tom contra Bolsonaro. Doria, que buscou ser o nome do PSDB nas eleições presidenciais de 2018, sendo preterido por Geraldo Alckmin, e é tido como um virtual candidato em 2022, criticou o presidente pela atuação na pandemia e defendeu inclusive a participação da população em panelaços. 

"Reja Brasil. Reaja o Congresso Nacional", afirmou. "Tenho certeza de que muitas vozes vão se levantar em defesa do Brasil", disse.

Sobre a candidatura de Rossi, Doria disse tratar-se da disputa entre a "defesa democrática e a ameaça à democracia". Nesse ponto, a fala foi corroborada pelo candidato emedebista, que disse representar a candidatura que quer a independência do Legislativo, e não "submissão".

Rossi disse também que uma candidatura à presidencia da Câmara "não pode ter como bandeira o impedimento do presidente". "Todos os pedidos que estiverem colocados vão ser analisados por mim depois do dia 2 de fevereiro, dentro do que diz a Constituição", afirmou Rossi, na possibilidade de que vença a eleição.

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