CPI da Covid

Brasil Dono da Precisa diz conhecer Barros, mas nega favorecimento

Dono da Precisa diz conhecer Barros, mas nega favorecimento

Francisco Maximiano disse que não pediu ajuda para aprovação de legislação que facilitou liberação de importação da Covaxin

  • Brasil | Do R7

Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos

Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos

Adriano Machado/Reuters -19.08.2021

O dono da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano, admitiu em depoimento à CPI da Covid nesta quinta-feira (19) conhecer o deputado Ricardo Barros (PP-PR), mas negou que tenha feito qualquer pedido de favorecimento ao ex-ministro da Saúde em relação à negociação da vacina Covaxin com o governo federal. A Precisa foi a representante do laboratório indiano Bharat Biotech no Brasil e fechou com o Ministério da Saúde um contrato de R$ 1,6 bilhão para o fornecimento da vacina.

O contrato é alvo de investigações depois que o servidor do ministério Luis Ricardo Miranda apontou pressão para liberação a importação e possíveis irregularidades. Ele afirmou ter levado o caso ao presidente Jair Bolsonaro, que teria respondido que a negociação seria "coisa" do deputado Ricardo Barros, que é líder do governo na Câmara. Barros nega qualquer ligação com a negociação.

Maximiano negou ter pedido a Barros favorecimento no sentido de acelerar a importação. O deputado apresentou emenda a uma medida provisória, que depois foi aprovada, propondo o aproveitamento de aprovações da autoridade sanitária da Índia pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o que favoreceu a Covaxin.

"Quando digo que era do interesse, porque, por óbvio, ela tornava a Covaxin elegível também, assim como outras de outras autoridades. Mas não houve absolutamente nenhum contato com o deputado Ricardo Barros, tampouco com outro para se fazer essa inclusão", disse Maximiano.

Após negar influência na aprovação da lei que destravou a importação da vacina indiana, o dono da Precisa Medicamentos decidiu ficar em silêncio e não responder se Barros já atendeu alguma demanda apresentada pelo empresário. 

Ele usou o direito concedido pelo STF (Supremo Tribunal Federal) de permanecer em silêncio em questões que julga que possam incriminá-lo.

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