CPI da Covid

Brasil Dono da Precisa fica em silêncio em depoimento à CPI da Covid

Dono da Precisa fica em silêncio em depoimento à CPI da Covid

Francisco Maximiano, responsável por empresa que firmou contrato com governo pela Covaxin, deixou de responder questões

  • Brasil | Do R7

Francisco Maximiano, dono da Precisa

Francisco Maximiano, dono da Precisa

Pedro França/Agência Senado - 19.08.2021

O sócio-proprietário da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano, afirmou nesta quinta-feira (19) à CPI da Covid que exercerá seu direito ao silêncio em depoimento à comissão. A empresa representou no Brasil o laboratório indiano Bharat Biotech, fabricante da Covaxin, e firmou contrato de R$ 1,6 bilhão com o Ministério da Saúde. A compra é alvo de investigação de diversos órgãos.

Maximiano citou o direito concedido pelo STF (Supremo Tribunal Federal) de permanecer em silêncio em questões que julga que possam incriminá-lo. Após responder algumas questões gerais, como em relação a outros contratos da Precisa com o governo, ele disse que não abordaria outros temas, causando críticas por parte dos senadores. Os parlamentares apontam um possível abuso do direito ao silêncio.

A Covaxin foi a vacina mais cara negociada pelo governo brasileiro e entrou na mira da PF (Polícia Federal) e da CPI depois que o servidor Luis Ricardo Miranda, chefe da Divisão de Importação do Departamento de Logística do ministério, denunciou que estava sendo pressionado para liberar a importação. Depois que as suspeitas tornaram-se públicas, o contrato foi suspenso.

Adiamentos

 O depoimento já foi adiado por quatro vezes. A primeira tentativa para ouvi-lo ocorreu em 23 de junho, mas os advogados avisaram na véspera que ele estava em quarentena, após retornar da Índia.

O compromisso foi remarcado para 1º de julho, mas foi adiado, uma vez que, no dia anterior, ele conseguira um habeas corpus no STF concedendo-lhe o direito de ficar em silêncio para não se incriminar. A decisão depois se tornou praxe entre os depoentes da CPI, sendo que parte deles usa efetivamente o direito de ficar em silêncio durante a sessão.

Maximiano seria ouvido também em 14 de julho, junto com a diretora-técnica da empresa, Emanuela Medrades, mas o comando da CPI decidiu que não seria possível ouvir ambos no mesmo dia.

Outro agendamento ocorreu para o dia 4 de agosto, na volta do recesso parlamentar, mas o empresário pediu a mudança de data porque novamente estava na Índia. Ele havia embarcado antes de ser notificado pela comissão, que optou por não tomar nenhuma medida. A direção da CPI chegou a avaliar o pedido de prisão de Maximiano, mas desistiu da ideia.

Nesta quinta, o presidente da CPI, Omar Aziz, ironizou as viagens à Índia e perguntou se o empresário estava tirando a cidadania indiana.

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