Operação Lava Jato

Brasil "É inacreditável que reforma não seja considerada uma vantagem", diz procurador da Lava Jato

"É inacreditável que reforma não seja considerada uma vantagem", diz procurador da Lava Jato

Investigador diz que 'não há ninguém isento de investigação". Lula não tem foro privilegiado

  • Brasil | Do R7

O procurador do MPF (Ministério Público Federal) que coordena as investigações da Lava Jato em Curitiba (PR), Carlos Fernando dos Santos Lima, afirmou nesta sexta-feira (4) que ainda existe uma "organização criminosa infiltrada dentro do governo federal que se utilizava da Petrobras e outras empresas".

Para ele, esse grupo ainda está em atuação mesmo depois da prisão do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

A Lava Jato entrou em sua 24ª etapa nesta sexta-feira, cujo nome é Aletheia, sendo que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus familiares são os principais alvos. Um dos principais membros da força-tarefa da Lava Jato, Carlos Fernando disse que existe um "conjunto de indícios bastante significativos" de que o ex-presidente e seus familiares receberam favores de empreiteiras investigadas na Lava Jato.

O procurador destacou "os favores feitos pelas empreiteiras, OAS e Odebrecht, em um sítio que estamos investigando que acreditamos ser do sr. Luiz Inácio e temos bem claro que houve pagamentos de benfeitorias no tríplex em Guarujá". Em seguida, classificou como "inacreditável" a possibilidade de Lula não ter recebido vantagens das empreiteiras.

— O inacreditável é que sejam pagos R$ 40 mil para a opção de compra [do apartamento no Guarujá] e são gastos R$ 700 mil em obras e benfeitorias e que isso não seja considerado uma vantagem. Uma vantagem não precisa ser dinheiro.

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Lima disse ainda que "outros dados beneficiando familiares também estão sob investigação" e enfatizou que "não há ninguém isento de investigação no País".

— Só investigamos pessoas sem foto privilegiado em Curitiba e Luiz Inácio não tem foro privilegiado.

Como ex-presidente da República, Lula não tem mais foro privilegiado, ou seja, uma investigação contra ele não precisa tramitar no STF (Supremo Tribunal Federal).

Prisão de Dirceu

Segundo o procurador da República, a 24ª fase da Lava Jato é "apenas de mais uma etapa, [...] necessária durante as provas colhidas durante as investigações".

— Sabendo que toda a organização criminosa [...] certamente possui um comando, foi verificado que o ex-ministro Dirceu fazia parte desse comando junto com o tesoureiro Vaccari. Após a prisão dele, a organização criminosa continuou existindo. Hoje, estamos analisando evidências de que o ex-presidente e sua família receberam vantagens para eventualmente consecução de atos dentro do governo. Isso ainda é uma hipótese investigativa, existem evidencias de pagamentos de vantagens.

Crítica aos vazamentos

O procurador da República destacou ainda que o vazamento de informações sobre as delações premiadas e as operações da PF prejudica o trabalho da força-tarefa da Lava Jato.

— Para evitar maiores manifestações, se tivéssemos que divulgar uma data com antecedência, procuramos fazer isso de maneira o mais silenciosa possível. Entretanto, sabemos que os vazamentos são deletérios para as investigações, uma vez que muitos dos fatos eram do conhecimento dos investigados. Os vazamentos não interessam ao Ministério Público, à PF e à Receita porque eles facilitam a destruição de provas. 

Categórico, Lima encerrou a fala dizendo que a operação da PF não tem posicionamento político.

— Não temos nenhuma – nenhuma, repito – motivação política. Foi mais uma etapa da Lava Jato de outras que seguirão normalmente.

Depoimento de Lula

O delegado da PF (Polícia Federal) que conduz as investigações da Lava Jato, Igor Romário de Paula, informou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva depõe no escritório da PF no aeroporto de Congonhas.

— Ele está sendo ouvido desde as 8h da manhã e não tem hora para terminar.

Sobre a mudança do local de depoimento, uma vez que ex-presidente poderia depor na sede da PF em São Paulo, localizada na zona oeste, o delegado esclareceu que a estratégia "foi só do ponto de vista de segurança mesmo".

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