Operação Lava Jato
Brasil "É um bandido que exerceu por 30 anos cargo de gerência", diz ex-diretor da Petrobras sobre Paulo Roberto Costa

"É um bandido que exerceu por 30 anos cargo de gerência", diz ex-diretor da Petrobras sobre Paulo Roberto Costa

Para Estrella, o ex- diretor de abastecimento da estatal foi "bandido no cargo de gerência"

Costa foi "bandido no cargo de gerência", diz Estrella

Guilherme Estrella se pronunciou pela primeira vez em público sobre o as denúncias envolvendo a Petrobras

Guilherme Estrella se pronunciou pela primeira vez em público sobre o as denúncias envolvendo a Petrobras

Agência Petrobras/12.abr.2010

Diante de uma plateia de petroleiros no Rio de Janeiro, o ex-diretor da área de Exploração e Produção da Petrobras Guilherme Estrella se posicionou publicamente pela primeira vez sobre as denúncias de corrupção na estatal, que já levaram à prisão do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa.

— É um bandido que exerceu por 30 anos cargo de gerência. Nas famílias ou mesmo nas instituições religiosas, tem gente boa e gente ruim. O Paulo Roberto é um bandido, que foi denunciado por este governo.

Em tom de desabafo, Estrella afirmou que o esquema de corrupção investigado na Petrobras não teve origem no governo comando pelo PT, ao qual é filiado há cerca de três décadas, e defendeu a reeleição da presidente Dilma Rousseff para o crescimento do investimento no setor de petróleo.

"Vocês estão pensando que roubalheira na Petrobras só aconteceu nesse governo?", questionou à plateia do seminário "Modelo Energético Brasileiro".

Sobre o caso da refinaria Pasadena, cuja compra por cerca de US$ 1,2 bilhão é investigada pelo TCU (Tribunal de Contas da União) e motivou a criação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) no Congresso, Estrella repetiu o argumento da presidente Dilma Rousseff, de que o resumo técnico apresentado para balizar a compra da refinaria era falho.

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Segundo ele, não foi dada "ênfase" nas cláusulas de put option, que obrigou a compra dos 50% de participação da Astra Oil pela Petrobras, em caso de desavença entre as sócias, e Marlim, que previa rentabilidade mínima de 6,9% à Astra, e que, de acordo o TCU, causaram prejuízos à estatal.

Assim como Dilma, que presidia o conselho de administração da estatal, Estrella não negou a existência das duas cláusulas no parecer jurídico sobre as condições do contrato entre as duas empresas. Sem citar o nome do então diretor da área Internacional, Nestor Cerveró, responsável pelo projeto, ressaltou apenas que faltou "ênfase" na apresentação das condições do negócio.

Para Estrella, da forma como foi apresentado o projeto, ele se enquadrava adequadamente ao plano estratégico da companhia de ampliar a produção de óleo diesel, em um momento em que o consumo do combustível crescia na mesma proporção em que a economia se desenvolvia.

Por cerca de quatro horas de evento, Estrella foi o centro dos questionamentos sobre o futuro da Petrobras e do pré-sal com uma possível mudança na política brasileira, caso a candidata pelo PSB à presidência da República, Marina Silva, seja eleita.

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A opinião do ex-diretor é que, apesar da crise econômica mundial de 2008 ter "atropelado" o crescimento do Brasil, o PT, desde o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, trouxe soberania à Petrobras, em contraposição ao que ele enxerga como tendo sido o plano do PSDB, na época de Fernando Henrique Cardoso, de restringir em 40% a participação da Petrobras nas operações de exploração e produção de petróleo e gás.

— Temos que nos mobilizar para eleger a Dilma. O Aécio está cremado. Mas a Marina abre espaço para um retrocesso.