Operação Lava Jato
Brasil Eduardo Cunha volta a atacar Janot e se diz perseguido: "Ele quer forçar uma prova"

Eduardo Cunha volta a atacar Janot e se diz perseguido: "Ele quer forçar uma prova"

Presidente da Câmara disse que procurador age, sim, de forma pessoal

Eduardo Cunha volta a atacar Janot e se diz perseguido: "Ele quer forçar uma prova"

Eduardo Cunha diz ser alvo preferencial de procurador-geral

Eduardo Cunha diz ser alvo preferencial de procurador-geral

Zeca Ribeiro/05.05.2015/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) voltou a atacar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, na noite de segunda-feira (11). O deputado reafirmou que há um problema pessoal entre ele e o procurador.

— Ele agiu comigo, sim, com espírito pessoal. Ele escolheu a mim para investigar.

Mais cedo, Janot disse, durante cerimônia de repatriação de R$ 182 milhões à Petrobras, que a PGR está conduzindo as investigações da operação Lava Jato de "maneira impessoal".

Ao comentar o depoimento do doleiro Alberto Youssef à CPI da Petrobras, o presidente da Câmara disse que o doleiro apenas repetiu o que já havia dito à Justiça Federal. Youssef contou aos membros da CPI que participou de uma operação de pagamento de propina envolvendo o suposto operador do PMDB Fernando Soares, o Fernando Baiano, o delator Júlio Camargo e Cunha.

O peemedebista ressalta que o doleiro assume que ouviu a informação de terceiros e que Júlio Camargo não confirmou o relato de Youssef. Em sua avaliação, o depoimento do doleiro foi até favorável porque ele teria dito que Cunha não seria o destinatário do pagamento de suposta propina feita por um policial.

— Diferentemente dos outros que têm abertura de inquérito, o meu caso é o único que o procurador pegou uma pessoa falando, não tem a confirmação do outro e pediu a abertura de inquérito. Quando ele (Janot) fala que é impessoal, ele só foi impessoal com os outros, comigo ele foi pessoal.

Maior parte do dinheiro da Petrobrás será recuperada só no fim do processo

Cunha também questionou o arquivamento do inquérito contra o senador Delcídio Amaral (PT-MS) e acusou Janot de violar o mandato parlamentar da ex-deputada Solange Almeida (PMDB-RJ), hoje prefeita de Rio Bonito (RJ). O presidente da Câmara citou um dos parágrafos do artigo 53 da Constituição, que permite aos deputados e senadores a testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas no exercício do mandato.

— Isso é uma invasão da prerrogativa do mandato dela, porque tem todo o direito e não é obrigado a declarar as fontes, igual a vocês da imprensa.

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Solange seria autora do requerimento que pedia explicações a uma das empresas envolvidas na operação Lava Jato. Segundo Youssef, o requerimento serviu para pressionar o Grupo Mitsui a pagar propina ao PMDB.

Para o deputado, ao requisitar o recolhimento de provas no centro de informática da Casa, Janot teria agido de forma pessoal e com "afronta" à Câmara para "forçar uma barra".

— O que ele pediu aqui, bastava ele ter mandado de ofício. Ele quer forçar uma prova de um fato ou de um suposto crime que aquele que seria vítima não reconhece que houve o crime, que não houve o fato. Ele está buscando uma forma de forçação de barra.