Brasil Em áudio, ex-diretor da Petrobras diz que partidos da base do governo recebiam propina

Em áudio, ex-diretor da Petrobras diz que partidos da base do governo recebiam propina

De acordo com depoimento, esquema de corrupção abasteceu caixas do PT, PP e PMDB

  • Brasil | Do R7, com Reuters

Costa está em prisão domiciliar após acordo de delação premiada

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Luis Macedo / Câmara dos Deputados

Áudios vazados do depoimento prestado pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, à Justiça Federal de Curitiba nesta quarta-feira (8) dentro do processo da operação Lava Jato, revelam um suposto esquema de cobrança de propinas em contratos da estatal direcionadas para PT, PMDB e PP. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, 3% do valor dos contratos fechados ia para o caixa dos três partidos.

“Todos sabiam que tinha um porcentual dos contratos da área de abastecimento. Dos 3%, 2% eram para atender ao PT através da diretoria de Serviços. Outras diretorias como gás e energia e produção também eram PT. Então, tinha PT na diretoria de produção, gás e energia e na área de serviços. O comentário que pautava a companhia nesses casos era que 3% iam diretamente para o PT", disse o ex-diretor.

A Direção Nacional do PT chamou as acusações de "caluniosas". Segundo o presidente nacional do partido, Rui Falcão, “todas as doações para o Partido dos Trabalhadores seguem as normas legais e são registradas na Justiça Eleitoral”. Ele disse ainda que é “estranha a repetição de vazamentos de depoimentos no Judiciário, tanto mais quando se trata de acusações sem provas”.  

Segundo a reportagem do O Estado de S. Paulo, Paulo Roberto acusou diretamente o tesoureiro do PT, João Vaccari, de distribuir a propina ao partido do governo. Ele disse ainda que a Diretoria Internacional da Petrobras tinha indicação do PMDB.

“Então, tinha indicação do PMDB, então tinha também recursos que eram repassados para o PMDB na diretoria Internacional”, revela a gravação.

De acordo com o jornal, quando questionado se recebia parte desses valores da corrupção, Costa respondeu afirmativamente.

“Sim, em valores médios o que acontecia. Do 1% para o PP, em média 60% ia para o partido, 20% para despesas às vezes de emissão de nota fiscal e para envio e 20% restantes eram repassados assim, 70% para mim e 30% para o Janene [deputado José Janene, ex-líder do PP na Câmara, já falecido em 2010]  ou Alberto Youssef”, disse. 

O ex-diretor disse que Janene "conduzia diretamente" a parcela dos recursos que cabia ao PP até meados de 2008, quando o deputado adoeceu e a função que passou a ser exercida por Yousseff, preso na mesma operação em que Costa foi detido, a Lava Jato.

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Em nota, a Secretaria Nacional de Finanças do PT afirmou que Vaccari nunca tratou de contribuições financeiras com Costa e que ele tem dado informações "distorcidas e mentirosas" à Justiça.

"Essas acusações, difundidas insistentemente por meio de notícias na imprensa, sem possibilidade de acesso de nossos advogados aos depoimentos, impedem o direito ao exercício constitucional da ampla defesa", diz a nota. "O secretário de Finanças vai processar civil e criminalmente aqueles que têm investido contra sua honra e reputação."

A assessoria de imprensa do PP afirmou em nota que "o Partido Progressista desconhece as denúncias, mas está à disposição para colaborar com todas as investigações". Procurado, o PMDB informou que não comentará o caso.

Doleiro

Em outro áudio, revelado pelo jornalista Fausto Macedo em seu blog no Estadão, o doleiro Alberto Youssef afirmou que os políticos envolvidos na nomeação de Paulo Roberto para diretor da Petrobras trancaram a pauta do Congresso por 90 dias, obrigando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nomeá-lo ao cargo.

"Tenho conhecimento que para que Paulo Roberto Costa assumisse a cadeira de diretor de abastecimento esses agentes políticos trancaram a pauta no Congresso durante 90 dias. Na época era o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou louco, teve que ceder e realmente empossar o Paulo Roberto diretoria de Abastecimento".

Nos áudios, Yousseff revela que eram feitas reuniões na casa de políticos onde eram feitas atas sobre o esquema de caixa 2 que irrigou campanhas de 2010 e partidos, entre eles o PT, o PMDB e o PP.

“Fazíamos reuniões em hotéis, no Rio ou em São Paulo ou na própria casa do agente político que primeiramente comandava esse assunto na área de Abastecimento. Nessas reuniões, eram feitas atas de discussão”, revelou Youssef.

O doleiro afirmou que diariamente se reunia com Costa e com os agentes políticos. “Eu não fui o criador dessa organização. Eu apenas fui a engrenagem para que se pudesse haver o recebimento e os pagamentos ao agentes públicos”.

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