Operação Lava Jato
Brasil Em CPI, Youssef afirma que Aécio Neves foi beneficiário de propina em Furnas

Em CPI, Youssef afirma que Aécio Neves foi beneficiário de propina em Furnas

Doleiro participa de acareação com o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa

Em CPI, Youssef afirma que Aécio Neves foi beneficiário de propina em Furnas

Youssef afirmou que Aécio recebia o dinheiro "através de sua irmã"

Youssef afirmou que Aécio recebia o dinheiro "através de sua irmã"

George Gianni/Divulgação

Em depoimento prestado à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras nesta terça-feira (25), o doleiro Alberto Youssef, um dos principais delatores da Operação Lava Jato, afirmou que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) recebeu recursos desviados de Furnas quando ainda era deputado federal.

Youssef disse que o ex-deputado José Janene (PP-PR), morto em 2010 e condenado no processo do mensalão, contou que operava um esquema de corrupção dentro de Furnas e que Aécio seria um dos beneficiários.

— Eu confirmo [a participação] por conta do que eu escutava do deputado José Janene, que era meu compadre.

A declaração já havia sido feita em depoimento ao Ministério Público durante as investigações da Lava Jato. De acordo com Youssef, Aécio recebia o dinheiro "através de sua irmã".

Acusação contra Aécio cita suposto envolvimento com propina em Furnas

Costa e Youssef confirmam propina de R$ 10 milhões para evitar CPI no Congresso

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu o arquivamento da investigação envolvendo Aécio. A Procuradoria entendeu que as informações reunidas sobre o presidente do PSDB não foram suficientes para que ele seja investigado, por isso sugeriu ao ministro Teori Zavascki o arquivamento da denúncia.

Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa participam de uma acareação na CPI da Petrobras. Os dois confirmaram o pagamento de propina de R$ 10 milhões para evitar uma CPI no Congresso.

Outro lado

Em resposta, o PSDB divulgou uma nota e afirmou que o as informações reveladas durante a CPI em referência ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) “são improcedentes e carecem de quaisquer elementos que possam minimamente confirmá-las”.

— Não se tratam de informações prestadas, mas sim de ilações inverídicas feitas por terceiros já falecidos.

A nota ainda menciona que as declarações de Youssef podem atender a algum “interesse político”.

Confira a nota na íntegra:

Como já foi afirmado pelo advogado de Alberto Youssef e, conforme concluiu a PGR (Procuradoria Geral da República) e o STF (Supremo Tribunal Federal), as referências feitas ao senador Aécio Neves são improcedentes e carecem de quaisquer elementos que possam minimamente confirmá-las.

Não se tratam de informações prestadas, mas sim de ilações inverídicas feitas por terceiros já falecidos, a respeito do então líder do PSDB na Câmara dos Deputados, podendo, inclusive, estar atendendo a algum tipo de interesse político de quem o fez à época.

Em seu depoimento à Polícia Federal, conforme a petição da PGR, Youssef afirma que: "Nunca teve contato com Aécio Neves" (página 18) e que "questionado se fez alguma operação para o PSDB, o declarante disse que não" (página 20).

Na declaração feita hoje, diante da pressão de deputados do PT, Yousseff repetiu a afirmativa feita meses atrás: de que nunca teve qualquer contato com o senador Aécio Neves e de que não teve conhecimento pessoal de qualquer ato, tendo apenas ouvido dizer um comentário feito por um terceiro já falecido. 

Dessa forma, a tentativa feita pelo deputado do PT Jorge Solla, durante audiência da CPI que investiga desvios na Petrobras, buscou apenas criar um factoide para desviar a atenção de fatos investigados pela Polícia Federal e pela Justiça e que atingem cada vez mais o governo e o PT.