Brasil Em entrevista inédita ao R7, Thomaz Bastos defendeu penas mais brandas para crimes de colarinho branco

Em entrevista inédita ao R7, Thomaz Bastos defendeu penas mais brandas para crimes de colarinho branco

Conversa aconteceu em julho deste ano para uma série especial que ainda não foi publicada 

Em entrevista inédita ao R7, Thomaz Bastos defendeu penas mais brandas para crimes de colarinho branco

Bastos morreu após complicações pulmonares, segundo o hospital

Bastos morreu após complicações pulmonares, segundo o hospital

Antonio Cruz/25.06.2009/ABr

Em entrevista exclusiva concedida ao R7 em julho deste ano, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, morto na manhã desta quinta-feira (20) aos 79 anos em São Paulo, mostrou-se descrente com relação às penalidades altas como forma de garantir a redução da criminalidade no Brasil. Neste sentido, fez críticas às mudanças no Código Penal realizada na reforma de 2012. Para ele, aos chamados crimes de colarinho branco, por exemplo, deveriam caber penalidades mais brandas do que a prisão.

— Os crimes de colarinho branco, eu acredito que eles seriam muito mais bem punidos se, em vez de uma pena de prisão, se desse uma pena patrimonial, que se tomasse do sujeito tudo aquilo que ele conseguiu praticando aqueles crimes.

O ex-ministro conversou com o R7 para uma série especial que está sendo produzida e será publicada ainda neste ano. Na ocasião, ele se disse cético em relação ao sistema carcerário brasileiro.

— A pessoa entra de um jeito e sai pior. Eu sou muito cético em relação à pena de prisão. Eu acho, na verdade, que a pena de prisão, ela só se justifica para o fisicamente perigoso, que são pessoas que não podem conviver em sociedade [...] ou para os chefes de quadrilha ou para os integrantes de associação criminosa.

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Bastos estava internado para tratamento de descompensação de fibrose pulmonar desde a última terça-feira (13). Ele foi ministro da Justiça entre 2003 e 2007 durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos últimos meses, defendia as empreiteiras Camargo Corrêa e a Odebrecht no caso da operação Lava Jato.

Imprensa

Ainda na entrevista, o ex-ministro falou sobre a influência da cobertura da imprensa nos julgamentos. Para ele, há casos em que a repercussão na mídia ajuda e outros, em que atrapalha o trabalho dos juízes e desembargadores.

— Nós temos exemplos clássicos de erro do Judiciário, como o caso da Escola Base, em que um delegado exibicionista inventou um crime, inventou os criminosos, com o apoio acrítico e entusiasmado da imprensa que dava sinos de verdade a tudo o que ele dizia.

“O pensamento de manada” foi apontando por Bastos como o grande problema nesse tipo de cobertura.

— Todo mundo vai para o mesmo lado [dizendo] 'precisa condenar, precisa condenar, precisa condenar' e aí os juízes perdem o equilíbrio de avaliar com calma, com serenidade o que existe dentro dos autos efetivamente. Mas eu sou absolutamente um defensor exaltado da liberdade de imprensa.