Em foto, João de Deus assina depoimento prestado à polícia

Médium está preso desde domingo (16) após centenas de acusações de abuso sexual; STF deve julgar liberdade do líder espiritual nesta sexta (21)

João de Deus alegou inocência no depoimento prestado à Polícia

João de Deus alegou inocência no depoimento prestado à Polícia

RecordTV

O médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, prestou depoimento à polícia no último domingo (16) após se entregar às autoridades devido às centenas de denúncias de abuso sexual.

A RecordTV conseguiu com exclusividade as fotos do líder espiritual assinando o depoimento - que durou três horas - em que alega inocência.

No depoimento, João de Deus a existência de abuso sexual na Casa de Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, Goiás, local em que realizava os atendimentos. Segundo ele, não ocorreu abuso sexual contra crianças e adolescentes e ainda negou que chamava pacientes para fazer atendimento individualizado. Esse era o pedido das pessoas que procuravam por ele no centro espiritual.

Ainda segundo o depoimento, o médium afirmou ter recebido a ligação de um homem que teria dito que "ia acabar com a vida" dele. "Olha, não desligue o telefone. Eu tenho 50 pessoas para acabar com você. Se você colocar 100, eu coloco 200. E se você aumentar isso, coloco mil. Eu vou acabar com você", declarou ele. 

João de Deus assinando o depoimento

João de Deus assinando o depoimento

RecordTV

A Polícia Civil de Goiás já ouviu 15 mulheres, mas se baseou em apenas uma denúncia para abrir o inquérito contra o médium. A vítima esteve na Casa Dom Inácio de Loyola em outubro deste ano e declarou que ficou sozinha em uma sala com o médium para a consulta espiritual e, com as luzes apagadas, percebeu que ele estaria tocando as regiões íntimas e colocado o membro sexual para fora da calça. João de Deus nega as acusações.

Nesta quinta (20), a Polícia Civil indiciou o médium por violação sexual mediante fraude. O STF (Supremo Tribunal Federal) pode decidir sobre a liberdade do médium nesta sexta-feira (21).

Entenda o caso

João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, está sendo acusado por diversas mulheres de abuso sexual durante os atendimentos espirituais na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, interior de Goiás.

Após as primeiras denúncias, o MP-GO (Ministério Público de Goiás) criou uma força-tarefa, que conta com quatro promotores, seis delegados e duas psicólogas para atenderem o caso.

Na noite de quarta (12), a Promotoria de Justiça de Goiás solicitou a prisão preventiva do médium, cinco dias depois de as primeiras denúncias de abusos sexuais começarem a aparecer.

Em sua primeira aparição pública após as denúncias, na manhã de quarta-feira (12), João de Deus ficou cerca de 10 minutos na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, interior de Goiás. O médium se disse inocente e declarou que estava à disposição da Justiça.

Na tarde de domingo (16), João de Deus se entregou às autoridades.

Até a tarde de segunda-feira (17), a força-tarefa do MP-GO tinha recebido um total de 506 mensagens sobre a investigação contra o médium.