Em gravação, ministro da Transparência critica Lava Jato 

Fabiano Silveira foi gravado pelo ex-presidente da Transpetro em fevereiro

Silveira (foto) era membro do Conselho Nacional de Justiça

Silveira (foto) era membro do Conselho Nacional de Justiça

Agência Senado

O ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, criticou a operação Lava Jato em uma reunião, gravada pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, com a presença de ambos e do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de acordo com reportagem exibida pela TV Globo, na noite deste domingo (29).

Machado, cujas gravações de caciques do PMDB realizadas no âmbito de um acordo de delação premiada com a Lava Jato já resultaram na queda do ex-ministro do Planejamento, senador Romero Jucá (PMDB-RR), também por criticar a Lava Jato, gravou a conversa com Silveira e Renan na casa do presidente do Senado, em fevereiro. O atual ministro da Transparência à época era conselheiro do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

O ex-presidente da Transpetro disse, nas tratativas do acordo de delação premiada, que ele e os presentes trocaram "reclamações gerais sobre a Justiça e sobre a Java Jato" no encontro, segundo a reportagem.

No áudio, Renan se mostra preocupado com um dos inquéritos a que responde no STF (Supremo Tribunal Federal), que investiga ele e Machado por supostamente terem recebido propina para favorecer um consórcio de empresas em licitação para renovar a frota da Transpetro.

Na gravação, Renan diz a Silveira que está preocupado com um recibo. Silveira então discute com eles a estratégia de defesa nesse caso e aconselha Renan a não entregar uma versão dos fatos, pois isso daria à Procuradoria condições de rebater detalhes da defesa.

Em outro trecho, o atual ministro faz críticas à condução da investigação da operação Lava Jato pela PGR e diz que o procurador-geral, Rodrigo Janot, e os demais procuradores estão "perdidos".

A reportagem do Fantástico revela ainda uma outra conversa, de 11 de março, sem a presença de Fabiano Silveira, na qual Renan e Sérgio Machado comentam a atuação do atual ministro, que teria ido falar com Janot, depois da reunião que tiveram em 24 de fevereiro. Na conversa, o presidente do Senado relata que não acharam nada contra ele e que Janot o teria chamado de "gênio".

Na reunião que ocorreu em fevereiro, também estavam presentes o advogado e ex-assessor de Renan, Bruno Mendes, e pelo menos um outro homem que não foi identificado. 

O Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle foi criado pelo presidente interino Michel Temer no lugar da antiga CGU (Controladoria-Geral da União) após assumir o governo no lugar da presidente afastada Dilma Rousseff. A pasta é encarregada de combater a corrupção no governo federal.

Funcionário de carreira do Senado, Fabiano Silveira foi indicado para o CNJ pelo próprio Renan, no ano passado. Entre as competências dos conselheiros do Ministério Público, cargo ocupado por Silveira na época, está "a fiscalização administrativa, financeira e disciplinar do MP em prol do cidadão".

Em nota, o ministro alega que esteve "de passagem" na residência oficial do presidente do Senado na ocasião em que a conversa foi gravada, que não sabia da presença de Machado na reunião e que eles não têm nenhuma relação, pessoal ou profissional.

"(Silveira) esteve involuntariamente em uma conversa informal e jamais fez gestões ou intercedeu junto a instituições públicas em favor de terceiro", afirma o texto divulgado pela sua assessoria de imprensa. Ele diz ainda que "chega a ser despropósito" sugerir que o Ministério Público, uma instituição que demonstra independência e altivez, "possa sofrer qualquer interferência externa".

Procurada, a assessoria de imprensa do presidente do Senado não respondeu. A defesa de Machado também não retornou às ligações. O presidente Michel Temer e o procurador-geral da República não quiseram comentar as gravações.