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Brasil Em jantar para Gilmar Mendes, Lira reúne Bolsonaro e Moraes

Em jantar para Gilmar Mendes, Lira reúne Bolsonaro e Moraes

Ministro completa 20 anos de Supremo Tribunal Federal; parlamentares da oposição também participaram do encontro

  • Brasil | Plínio Aguiar, do R7, em Brasília

O presidente da República, Jair Bolsonaro, e o presidente da Câmara, Arthur Lira

O presidente da República, Jair Bolsonaro, e o presidente da Câmara, Arthur Lira

Adriano Machado/Reuters - 24.11.2021

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), ofereceu um jantar na noite desta quarta-feira (22) a Gilmar Mendes, que completa 20 anos como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Participaram do evento os presidentes da República e do Congresso Nacional, Jair Bolsonaro (PL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), respectivamente, e os ministros Alexandre de Moraes — desafeto do chefe do Executivo —, Ricardo Lewandowski, Kassio Nunes Marques e André Mendonça.

Do governo, marcaram presença os ministros Ciro Nogueira (Casa Civil) e Anderson Torres (Justiça e Segurança Pública). Cotado para ser vice de Bolsonaro na chapa à reeleição, o assessor especial e ex-comandante da Defesa Braga Netto esteve presente. A reportagem apurou que parlamentares da oposição também participaram, como Orlando Silva (PCdoB-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG).

Bolsonaro x Moraes

No início deste mês, Bolsonaro afirmou que Moraes, que comandará o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a partir de agosto, não cumpriu o acordo costurado pelo ex-presidente Michel Temer (MDB) após as manifestações do 7 de Setembro de 2021.

"Estávamos eu, o Michel Temer e um telefone celular na minha frente. Ligamos para Alexandre de Moraes e conversamos por três vezes com ele, e combinamos certas coisas para assinar aquela carta. Ele não cumpriu nenhum dos itens que combinei com ele", contou Bolsonaro.

No mesmo dia, Temer divulgou uma nota em que negou o acordo. "As conversas se desenvolveram em alto nível, como cabia a uma pauta de defesa da democracia. Não houve condicionantes, e nem deveria haver, pois tratávamos ali de fazer um gesto conjunto de boa vontade e grandeza entre dois poderes do Estado brasileiro. Mais do que nunca, o momento é de prudência, responsabilidade, harmonia e paz", disse o ex-presidente.

No mês passado, Bolsonaro acusou Moraes de abuso de autoridade e entrou com uma queixa-crime contra o ministro no STF — o ponto mais alto da crise entre o Judiciário e o Executivo. A ação foi arquivada e dias depois ambos se cumprimentaram durante evento no Tribunal Superior do Trabalho.

Antes do início da cerimônia, o presidente e o ministro estiveram juntos na sala vip, mas não se falaram. O presidente do TST, Emmanoel Pereira, quebrou o protocolo e pediu que Bolsonaro condecorasse os novos ministros, tarefa reservada ao próprio presidente do tribunal.

Bolsonaro encontrou Moraes sentado, pediu que ele se levantasse e o cumprimentou. Depois da cerimônia, o ministro agradeceu ao presidente do TST pela iniciativa de quebrar o protocolo e abrir espaço para a cordialidade. Antes de deixar o local, ele ainda se despediu do presidente com um novo aperto de mãos.

Milton Ribeiro

O jantar ocorreu no mesmo dia em que o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro foi preso. Ele foi detido na cidade paulista de Santos durante a operação Acesso Pago, da Polícia Federal. O ex-chefe da pasta é acusado de corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência.

Milton Ribeiro, ex-ministro da Educação de Jair Bolsonaro, foi preso sob suspeita de corrupção

Milton Ribeiro, ex-ministro da Educação de Jair Bolsonaro, foi preso sob suspeita de corrupção

Alan Santos / PR

Também foram presos os pastores Arilton Moura e Gilmar Santos, apontados como lobistas que atuavam em esquema informal no Ministério da Educação. Nesta quinta (23), a Justiça Federal vai decidir se mantém ou não a prisão do ex-ministro.

Bolsonaro comentou a prisão do aliado. "Nós afastamos ele. Se tem prisão, é Polícia Federal. É sinal de que a Polícia Federal está agindo. Ele responda pelos atos dele. É um sinal de que eu não interfiro na PF. Se prendeu, tem um motivo. Se alguém faz algo de errado vai botar a culpa em mim?", disse. O presidente também afirmou que Ribeiro mantinha "conversa informal demais com pessoas da confiança dele" e que a corrupção "é zero" no governo atual.

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