Em nova crítica à equipe econômica, Bolsonaro diz que não vai taxar o sol

Presidente esteve em Coremas (PB), para inaugurar usina de energia solar; Guedes defendia uma maneira de reduzir benefícios ao setor 

Bolsonaro ouve forró em palco montado na Paraíba

Bolsonaro ouve forró em palco montado na Paraíba

TV Brasil / Reprodução

Em evento na Paraíba, o presidente Jair Bolsonaro criticou nesta quinta-feira (17) mais uma proposta defendida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Bolsonaro foi a Corema, no interior do Estado para inaugurar uma usina de energia solar.

"Há poucos meses apareceu um fantasma em nosso meio. O pessoal queria taxar o sol", disse em tom de brincadeira o presidente, sem citar o nome de Guedes.

"E obviamente nós sabemos que as agências são independentes, e têm um valor muito importante. Logicamente, conversando com o ministro e com o presidente da Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica], chegou-se à conclusão que essa proposta, até 2022, em que estaremos no governo, não será posta em prática.  Não vamos taxar o sol!"

A proposta original, foi feita pela Aneel, em 2019, e chegou a ser defendida por Guedes em entrevistas. A intenção não era criar um imposto para a luz solar, mas reduzir benefícios ao setor.

Na avaliação da equipe econômica, os subsídios, que vão da isenção de impostos nos equipamentos à redução de taxas aos usuários de energia solar, que muitas vezes são pessoas com renda alta, são repassados para a conta de luz de toda a população. 

A citação de Bolsonaro, com o uso do termo provocativo "taxar o sol", é mais uma cutucada esta semana nas propostas de Guedes. Há dois dias, na terça-feira (15), ele afirmou que estava proibido em seu governo se falar no Renda Brasil, programa de transferência de renda defendido pelo MInistério da Economia. 

O presidente também aproveitou o evento para defender os empresários e o Congresso Nacional.

"Nosso governo acredita na iniciativa privada. Não é fácil investir e empreender em nosso país ainda", declarou. "Estamos junto com o Parlamento trabalhando para mudar o destino do Brasil. Nós cada vez mais nos entendemos e nos empenhamos e buscamos soluções para os nossos problemas."

Bolsonaro declarou que o Brasil é o país que mais protege o meio ambiente e é também o que mais recebe ataques.

Forró

Por volta de meio-dia, o presidente da Embratur, Gilson Machado, ficou encarregado de dar as boas vindas a Bolsonaro.

"Nunca vi um presidente tão perseguido, tão traído e tão amado pelo povo dia após dia", afirmou Machado. "Esse governo vai deixar um legado", completou.

Após os elogios, Gilson Machado, que também é sanfoneiro, cantou com um trio paraibano de forró que já estava no palco.

Bolsonaro, ligeiramente constrangido, chegou a ficar em pé para ouvir as músicas, que contaram com adaptações em letras famosas para elogiar o presidente.

O ministro das MInas e Energia, Bento Albuquerque. afirmou que a atual gestão federal é a que mais põe recursos em projeto que buscam energias alternativas. "Só no último ano investimos R$ 17 milhões, 20% do que foi investido nos últimos dozes anos."

"O Brasil é um exemplo para o mundo em termos de sustentabilidade na geração de energia elétrica. Nós estamos vendo nesse período da pandemia alguns países com apagões, e nós aqui estamos há seis meses com segurança energética", disse o ministro. "Nossas fontes limpas e renováveis representam 85% da geração, enquanto a média no mundo é 24%."

Incentivo à energia solar

O diretor-presidente da Rio Alto, Edmond Farhat, empresa que administra a usina de Coremas, afirmou que a empresa começou a trabalhar em 2009, quando mal se falava em energia solar no país. "Temos como alicerce da nossa companhia o crescimento sustentado, o respeito às leis, o respeito ao meio ambiente e integração com a sociedade."

Segundo ele, o governo paraibano sempre apoiou a companhia no projeto e é um grande incentivador da energia solar. 

"Não se constrói um mercado energético do tamanho do brasileiro sem leis e normas que regulem o mercado e tragam transparência. O Ministério das Minas e Energia, sob o comando do ministro Bento Albuquerquer, traz segurança para os investimentos privados tão necessários a qualquer setor", declarou.

Farhat elogiou também a medida do governo federal de isentar impostos equipamentos e insumos para energia solar. "Sem esse medida, certamente teríamos dificuldade na expansão do complexo solar."