Operação Lava Jato

Brasil Em nova fase da Lava Jato, PF prende irmãos donos de estaleiro

Em nova fase da Lava Jato, PF prende irmãos donos de estaleiro

Autoridades investigam fraudes em licitações e pagamento de propina a altos executivos da Petrobras e empresas relacionadas

  • Brasil | Marc Souza, da Record TV

Autoridades cumprem mandados em três estados

Autoridades cumprem mandados em três estados

Divulgação/ Polícia Federal - 19.08.2020

A PF (Polícia Federal) cumpre oito mandados na 72ª fase da operação Lava Jato nesta quarta-feira (19), batizada de Navegar é preciso. São seis mandados de busca e apreensão, um em Alagoas, um em Niterói, um no Rio de Janeiro e três em São Paulo, e dois de prisão em São Paulo. 

A 13ª Vara Federal em Curitiba (PR) havia pedido prisão temporária, mas, devido à pandemia de coronavírus, substituiu por prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. 

Foram presos os empresários German e José Efromovich, donos do estaleiro EISA- Estaleiro Ilha S.A. Ambos são acionistas da Avianca Holdings, que não é citada nas investigações. 

A operação investiga fraudes em licitações e pagamento de propina para altos executivos da Petrobras e empresas relacionadas, como a Transpetro, de mais de R$ 40 milhões em contratos de construção de navios da Transpetro. 

Segundo a PF, a "operação investiga os possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, que teriam sido praticados no contexto de licitação e celebração de contratos de compra e venda de navios celebrados pela Transpetro com o Estaleiro EISA, no âmbito do Promef, que era o programa do Governo Federal para a reestruturação da indústria naval brasileira".

As investigações apontam que propina foi paga para em troca do favorecimento e direcionamento do Estaleiro em licitação para celebração do contrato milionário, para a construção e fornecimento de navios. 

Dentre os navios estaria o modelo Panamax, cujo valor global combinado foi de mais de R$857 milhões. Tal contratação teria sido feita, inclusive, desconsiderando estudos de consultorias que apontavam que o Estaleiro em comento não teria as condições técnicas e financeiras adequadas para a construção dos referidos navios.

Apuração interna da Transpetro indica que a atuação dos executivos do estaleiro EISA junto ao então presidente da estatal e agora colaborador, Sérgio Machado, causou prejuízos da ordem de R$ 611.219.081,49 à Transpetro.  O prejuízo teria sido causado pela entrega irregular de um dos navios Panamax encomendados, da não entrega dos outros três navios Panamax, de dívida trabalhista indevidamente suportada pela Transpetro e de adiantamento de recursos da companhia ao EISA, garantidos pessoalmente por um dos empresários presos com a emissão de duas notas promissórias que nunca foram pagas.

O pagamento de propina teria sido disfarçado por contrato falso de investimento em empresa estrangeira e valores indevidos teriam sido pagos por meio de transferências a contas bancárias no exterior. 

Autoridades cumprem dois mandados de prisão

Autoridades cumprem dois mandados de prisão

Divulgação/ PF - 19.08.2020

Segundo o MPF (Ministério Público Federal), a Justiça determinou o bloqueio de de R$ 651.396.996,97 das pessoas físicas e jurídicas envolvidas e fixou outras medidas cautelares, como proibição de movimentar contas no exterior, proibição de realizar ato de gestão societária ou financeira em empresas no Brasil e no exterior, ou qualquer forma de ocultação de provas, e proibição de contratar com o Poder Público.

Em nota, a Transpetro diz que colabora com o MPF. "A Transpetro, desde o princípio das investigações, colabora com o Ministério Público Federal e encaminha todas as informações pertinentes aos órgãos competentes. A companhia reitera que é vítima nestes processos e presta todo apoio necessário às investigações da Operação Lava Jato". 

O R7 tenta contato com a defesa dos citados.

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