Novo Coronavírus

Brasil Embaixador da China se irrita com tuíte do governo 

Embaixador da China se irrita com tuíte do governo 

Diplomata chinês compartilhou tuíte em que Ministério da Saúde mencionava 'insumos do exterior', sem citar país, para as vacinas

Reuters
O embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming

O embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming

Marcelo Camargo/Agência Brasil

O embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, ironizou no sábado (22) uma nota postada no Twitter pelo Ministério da Saúde que omitiu o fato de os insumos usados na produção de vacinas no país serem de origem chinesa, e o Itamaraty entrou em cena para agradecer os esforços do país asiático.

O diplomata chinês compartilhou um tuíte em que a Saúde mencionava que "insumos do exterior" para a produção de vacinas AstraZeneca/Fiocruz chegaram ao Brasil no sábado. Grifando a referência a insumos no exterior, Wanming escreveu "Confúcio disse, feito para amigos, fiel à sua palavra".

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, respondeu então ao embaixador agradecendo seu apoio "nesse momento de dificuldade sanitária" e afirmando que o ministério "espera ter sempre a sua parceria para essa e futuras ações".

Também no Twitter, o Itamaraty compartilhou a notícia divulgada pelo Ministério da Saúde sobre a chegada dos insumos, mas complementou com um tuíte próprio: "Com agradecimento à Chancelaria da República Popular da China pelos esforços na pronta liberação dos insumos contratados à Oxford/AstraZeneca".

O Instituto Butantan interrompeu o envase de vacinas há duas semanas por falta de insumos da vacina chinesa CoronaVac, e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também anunciou na última semana que interromperia o envase da AstraZeneca até a chegada de um novo lote.

Na última quinta-feira, o embaixador chinês confirmou o envio dos novos lotes de insumos durante reunião por videoconferência com o Fórum dos Governadores. No Twitter, ele anunciou a liberação de insumos suficientes para a produção de 16,6 milhões de doses das vacinas Coronavac e AstraZeneca.

Neste domingo, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), também agradeceu o esforço da China. "Na parte que nos cabe, representando o Maranhão, V.Exa tem o nosso reconhecimento", escreveu no Twitter.

As críticas feitas pelo governo Jair Bolsonaro à China na crise da pandemia são objeto de investigação da CPI da Covid, que apura as responsabilidades das autoridades na gestão da crise.

O Butantan e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmaram que recentes ataques de Bolsonaro à China interferiram diretamente no cronograma de liberação de novos lotes de insumos pelos chineses.

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