Brasil Empregos do futuro vão exigir profissionais inovadores 

Empregos do futuro vão exigir profissionais inovadores 

Analista de internet das coisas, engenheiro de cibersegurança e mecânico de veículos híbridos são algumas das ocupações que devem ser criadas 

Empregos do futuro exigem inovação e familiaridade com a Industria 4.0

Saber trabalhar em equipe é essencial para o futuro do mercado de trabalho

Saber trabalhar em equipe é essencial para o futuro do mercado de trabalho

Pexels

O mercado de trabalho está mudando. Cada vez mais, novas tecnologias se inserem na lógica trabalhista, abrindo novas possibilidades, mas, ao mesmo tempo, tirando vagas que agora podem ser desempenhadas por inteligência artificial ou outros recursos tecnológicos. Desse modo, o trabalhador brasileiro se vê na necessidade de adotar uma nova postura e buscar conhecimentos técnicos para se adaptar às novas formas de produção baseadas na Indústria 4.0. Além disso, é importante adquirir competências socioemocionais, como a capacidade de trabalhar em equipe, de se comunicar bem, ser criativo, etc. 

Esse conjunto de transformações gera desafios de adaptação para empregadores, profissionais e sociedade.

O engenheiro mecânico Henrique Baron comenta que considera necessárias três competências para o profissional do futuro. Para ele, é preciso pesquisar e aprender, programar, mesmo para quem não vá trabalhar como programador e lidar com mudanças e incertezas. “Hoje em dia o panorama de profissões está mudando muito rapidamente e precisamos saber encarar as mudanças sem ser de forma negativa, como é da natureza humana, mas como uma oportunidade para melhorar”, diz Baron.

Para Rafael Lucchesi, diretor de Educação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e diretor-geral do SENAI, a quarta revolução industrial exige, para além das novas habilidades técnicas, as socioemocionais, como capacidade de colaboração, comunicação, criatividade, interpretação e trabalho coletivo. “No Brasil, 11% dos jovens fazem formação técnica. Nos países emergentes mais bem-sucedidos, acima de 50% têm a formação junto com o ensino médio. Nós temos que mudar essa distorção na matriz educacional brasileira”, afirma o diretor.

Para alguns especialistas da área da educação, conceitos de Big Data, inteligência artificial, Internet das Coisas (IoT) e segurança cibernética deveriam ser ensinados já no final do ensino básico em todas as escolas, em disciplinas como física, matemática e química. Isso porque no futuro, essas competências serão necessárias para a construção do mercado de trabalho integrado com as novas tecnologias que se inserem com o cenário da Indústria 4.0.

Mercado de trabalho e inovações tecnológicas

Segundo a professora Maria Thereza Fleury, mesmo com um cenário de desemprego elevado e um enorme contingente de pessoas a disposição para o mercado de trabalho, as empresas têm tido dificuldade em encontrar profissionais qualificados. Para ela, o jovem que se insere no mercado deve, cada vez mais, investir em desenvolver todas as suas competências. “E isso não significa apenas ficar olhando seu celular para ver o que tem no Facebook. É preciso combinar o acesso às tecnologias com aquela educação mais profissional, que ofereça uma formação boa em línguas, em matemática e em conhecimentos gerais, que te ajudem a analisar e a interpretar o que está acontecendo naquele momento. E isso não é trivial”, comenta a professora da FGV.

Na opinião do professor Paulo Feldman, da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP), realmente há uma dúvida enorme sobre o futuro do trabalho. Para ele, novos postos de trabalho serão criados, enquanto outros não existirão mais. “Certamente profissões novas serão criadas, mas é impossível prever quais serão essas novas profissões e atividades. Hoje há uma certa clareza naquilo que será eliminado. Profissões com atividades repetitivas certamente acabarão”, afirma.

30 novas profissões

Existe a previsão de que 30 novas ocupações sejam criadas nos próximos cinco a dez anos, de acordo com SENAI (Serviõ de Aprendizagem Industrial). Oito áreas (Automotivo, Alimentos e Bebidas, Máquinas e Ferramentas, Petróleo e Gás, Têxtil e Vestuário, Química e Petroquímica, Tecnologias da Informação e Comunicação e Construção Cívil) devem sofrer os maiores impactos da indústria 4.0 e profissões como engenheiro de cibersegurança, técnico em informação e automação, mecânico de veículos híbridos e projetista para tecnologia 3D devem se consolidar no mercado.

Novas profissões devem surgir com a Indústria 4.0

Novas profissões devem surgir com a Indústria 4.0

Foto: Divulgação/CNI

O levantamento aponta que, do nível médio ao superior, essas áreas específicas devem passar por um período de transição, apostando na dominância das tecnologias digitais para a competitividade dos seus negócios na próxima década.

*Estagiário do R7, sob supervisão de Ana Vinhas