Entidades de juízes e promotores questionam reforma no STF

Ação pretende anular efeitos de pontos da Previdência, como o aumento da contribuição previdenciária por meio da adoção de alíquotas progressivas

Fernando Mendes, presidente da Ajufe

Fernando Mendes, presidente da Ajufe

Ajufe/Divulgação

A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) entrou nesta quarta-feira (13) com uma ação para anular os efeitos de pontos da emenda constitucional da reforma da Previdência, entre eles o aumento da contribuição previdenciária por meio da adoção de alíquotas progressivas.

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O presidente da entidade, Fernando Mendes, disse em nota que esse é o principal ponto de questionamento da reforma, promulgada na terça-feira (12) pelo Congresso. Para ele, a medida viola o princípio da unidade da magistratura, uma vez que juízes estaduais não serão afetados com a mudança por terem ficado fora da reforma.

“A cobrança vai criar uma divergência no regime previdenciário da magistratura, uma vez que os magistrados da União vão ter uma alíquota progressiva e os estaduais não. Além disso, com quase 30% de contribuição os servidores federais vão sofrer uma nova configuração de confisco sob o fruto do seu trabalho”, afirma o presidente da Ajufe, em nota.

Na ação, que ainda não tem relator definido no STF, a entidade disse que o déficit atuarial da Previdência será custeado exclusivamente pelos “servidores públicos federais, ativos, aposentados e pensionistas”, que precisam suprir tal potencial defasagem, independentemente de eventual existência de superávit no Regime Próprio de Previdência Social federal.

Os percentuais de contribuição, dizem, podem chegar a 22% no caso de servidores federais.

A reforma da Previdência é a principal medida de ajuste das contas públicas apresentada pelo governo Jair Bolsonaro até o momento.