Brasil Ernesto Araújo colecionou polêmicas como ministro

Ernesto Araújo colecionou polêmicas como ministro

Expoente da ala ideológica do governo, chanceler pediu para deixar chefia do Itamaraty, conforme fontes ouvidas pelo R7 e Record



  • Brasil | Do R7

Ernesto Araújo se envolveu em diversas polêmicas ao longo de sua gestão no Itamaraty

Ernesto Araújo se envolveu em diversas polêmicas ao longo de sua gestão no Itamaraty

Marcos Corrêa/PR - 16.03.2021

O chanceler Ernesto Araújo colecionou uma série de polêmicas antes de pedir demissão da pasta após pressão do Congresso Nacional e de empresários. 

O ministro das Relações Exteriores pediu para deixar o cargo nesta segunda-feira (29), de acordo com fontes ouvidas pelo R7 e pela Record TV. Araújo teria informado sobre sua saída do posto após reunião com o secretariado. 

O ápice que culminou no pedido dele para sair do ministério de Jair Bolsonaro foi a crise diplomática que dificultou a compra de vacinas contra a covid-19 e atrasou a chegada dos insumos para a produção dos imunizantes.

Posse

A primeira polêmica de Araújo ocorreu logo em sua posse no Ministério das Relações Exteriores, em janeiro de 2019. Na ocasião, ele usou citações ecléticas, com versículos bíblicos, músicas de Renato Russo e Raul Seixas e falas do filósofo Olavo de Carvalho, mas não explicou quais seriam as medidas adotadas pela pasta. 

Araújo disse ainda admirar Israel, Estados Unidos, Hungria, Polônia, Itália, países latino-americanos que “se libertaram do regime do Foro de São Paulo”, deixando de lado alguns dos principais parceiros comerciais do Brasil.

Comunavírus

No ínicio da pandemia do novo coronavírus, Araújo postou em uma rede social que o planeta enfrentava o "comunavírus", em referência à origem da covid-19. Para ele, a doença seria um plano para "instaurar o comunismo, o mundo sem nações nem liberdade, um sistema feito para vigiar e punir". 

No mesmo texto, publicado em um blog pessoal, o ministro atacou a OMS (Organização Mundial da Saúde) e disse que o órgão não tem comprovação da efetividade. Para Araújo, transferir o controle da pandemia à organização seria o “primeiro passo na construção da solidariedade comunista planetária”.

Conflitos com a China

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Durante a gestão, Araújo também saiu duas vezes em rota de colisão com a China, principal parceiro comercial do Brasil, ao defender o deputado federal e filho do presidente Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Na primeira ofensiva, em março de 2020, o ministro disse que o embaixador Yang Wanming "feria a boa prática diplomática" ao rebater de forma "desproporcional" o parlamentar. O filho do presidente havia dito que o governo comunista da China era culpado pela propagação do novo coronavírus e omitia dados da pandemia. O embaixador, então, se disse ofendido, pediu retratação e afirmou que Eduardo contraíra um "vírus mental" em viagem a Miami, na Flórida.

Em outra ocasião, em novembro do ano passado, Itamaraty disse que China foi ofensiva ao rebater Eduardo Bolsonaro. Nas redes sociais, o parlamentar havia vinculado o governo chinês à "espionagem" por meio da tecnologia 5G, o que provocou protestos dos asiáticos.

Visita de secretário dos EUA

Na véspera da eleição presidencial dos Estados Unidos, Araújo coordenou uma visita do então secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, a Roraima. Convocado para comentar sobre o tema no Congresso, ele chamou Nicolas Maduro de facínora e garantiu que o evento não foi feito em apoio a Donald Trump.

Reconhecimento de Biden

Defensor declarado de Donald Trump, o agora ex-ministro fez do Brasil um dos últimos países a reconhecer a vitória de Joe Biden nas eleições norte-americanas do ano passado, colocando em dúvida a derrota do republicano. Uma aproximação concreta com o novo presidente dos EUA só ocorreu após a posse oficial de Biden.

Assim que aceitou a derrota de Trump, o ministro mudou o tom e disse que atuaria com Biden em prol na preservação do meio ambiente. Na primeira conversa com o secretário de Estado Antony Blinken, ele destacou a "excelente disposição e amplas oportunidades" para manter uma parceria profunda entre os países.

Sem máscara

Não adepto ao uso de máscara durante a pandemia, o ministro foi obrigado a vestir o item essencial para evitar contaminações em visita a Israel. A determinação aconteceu enquanto os dois se preparavam para uma foto oficial do encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gabi Ashkenazi. Visivelmente constrangido, Araújo riu e pegou a máscara do bolso, antes de se aproximar de Ashkenazi, que já estava usando a proteção.

Vacinas

As divergências políticas no cenário internacional com a China e a Índia causaram o atraso na entrega de insumos para produção de vacinas contra a covid-19 no Instituto Butantan e na Fiocruz. Ele sempre negou o ocorrido e disse que as relações com os países eram “madura, construtiva, muito correta”.

No entanto, somente após as articulações o governo chinês, por meio da representação diplomática, emitiu comunicados sinalizando com a retomada da cooperação no envio célere dos insumos para produção de vacinas.

Lobby por 5G

Já prestes a deixar o ministério após inúmeras críticas, Araújo partiu para o ataque em uma rede social e disse que senadores e a presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Kátia Abreu (PP-TO), desejavam aceno do governo para favorecer os chineses na disputa pela implantação da rede de internet 5G no Brasil.

Em resposta à manifestação, Kátia disse que o ministro tenta desviar o foco da vacinação e da perda de vidas em decorrência da pandemia. Ela ganhou o apoio de outros colegas, que voltaram a defender a demissão de Araújo.

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