Brasil Ex acusou Bolsonaro de furtar cofre com joias e dinheiro, diz revista

Ex acusou Bolsonaro de furtar cofre com joias e dinheiro, diz revista

Ana Cristina também disse que candidato omitiu patrimônio para a Justiça Eleitoral em 2006, quando concorria ao cargo de deputado federal

Bolsonaro

Ana Cristina é candidata a deputada federal

Ana Cristina é candidata a deputada federal

Fábio Motta/ Estadão Conteúdo - 26.09.2018

A ex-mulher do deputado federal Jair Bolsonaro, Ana Cristina Siqueira Valle, acusou e processou o presidenciável do PSL de ter furtado um cofre que mantinha no Banco do Brasil, recheado de joias e dinheiro vivo, em outubro de 2007. Os bens eram avaliados em mais de R$ 800 mil. 

As informações foram divulgadas pela revista "Veja", que teve acesso ao processo de separação do casal. 

Na época, Ana Cristina fez um boletim de ocorrência na 5ª Delegacia da Polícia Civil. Durante o processo de decisão da guarda do filho do casal, que hoje tem 20 anos, Bolsonaro dizia que a ex-mulher havia levado o filho para fora do país e dizia que voltaria apenas quando os bens do cofre fossem devolvidos. Já Ana Cristina acusava-o do furto.

O caso do furto do cofre foi encerrado pela polícia sem desfecho. Ana Cristina foi chamada para depor duas vezes, mas não compareceu.

Após o processo ser aberto, o casal chegou a um acordo: o filho dos dois voltou para o Brasil e eles resolveram a disputa de bens e o valor da pensão.

Bolsonaro e Ana Cristina ficaram casados por 10 anos e, em 2008, se divorciaram oficialmente. Segundo o processo divulgado pela revista, o candidato era um marido de "comportamento explosivo" e de "desmedida agressividade", razão pela qual ela pediu o divórcio. 

Fuga para Noruega

O jornal "Folha de S.Paulo" publicou na terça-feira (25) que Ana Cristina foi para a Noruega com o filho depois de supostamente ser ameaçada de morte por Bolsonaro. Lá, ela falou sobre a situação com o vice-cônsul local. Procurada pelo jornal, ela negou que tenha sido ameaçada, mas cinco amigas próximas confirmaram que este foi o motivo da viagem. 

Depois da publicação da matéria da Folha, Ana Cristina publicou um vídeo no Facebook dizendo que estava "enojada" com a mídia. "Estou enojada com essa mídia manipuladora e com essa esquerda mentirosa. Chegando ao Congresso e Jair Bolsonaro à Presidência, vamos botar para fora estes canalhas", disse. 

O filho de Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, também comentou sobre o caso, citando outras reportagens que falam sobre sua família. "É lamentável toda essa convergencia, essa força potencializada contra Bolsonaro", afirmou. 

Além da acusação do furto, a ex-mulher do candidato também afirmou que ele ocultou parte do patrimônio para a Justiça Eleitoral em 2006. Na época, Bolsonaro concorria ao cargo de deputado federal e declarou que tinha R$ 433.934, registrando um terreno, uma sala comercial, três carros e duas aplicações financeiras. O valor equivale hoje a cerca de R$ 850 mil. 

Ana Cristina incluiu no processo uma relação de bens e declaração do imposto de renda, que registrava também três casas, um apartamento, uma sala comercial e cinco lotes. Em valores atuais, o patrimônio de Bolsonaro era de R$ 7,8 milhões. 

A ex-mulher de Bolsonaro também afirmou que a renda mensal dele chegava a R$ 100 mil, formada pelo salário como deputado (R$ 26.700), o de militar da reserva (R$ 8.600) e "outros proventos", que não identificou. 

Procurada pela reportagem da "Veja", Ana Cristina disse: “Quando você está magoado, fala coisas que não deveria”. Sobre os “outros rendimentos” e a vida “afortunada” do candidato, ela diz que nem se lembra: “Eu falei isso?”. Ana Cristina concorre ao cargo de deputada federal pelo Podemos e usa o nome de Bolsonaro em sua campanha.

Bolsonaro não quis comentar o caso.  

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