CPI da Covid

Brasil Ex-diretor da Saúde tem dossiê sobre atuação da Casa Civil, diz Aziz

Ex-diretor da Saúde tem dossiê sobre atuação da Casa Civil, diz Aziz

Presidente da CPI sugeriu que Roberto Dias, denunciado por pedir propina, teria sido orientado a receber vendedores de vacina

  • Brasil | Gabriel Croquer, do R7

Roberto Dias nega que teria pedido propina e diz que acusações partem de "pessoas desqualificadas"

Roberto Dias nega que teria pedido propina e diz que acusações partem de "pessoas desqualificadas"

Marcos Oliveira/Agência Senado - 07.07.2021

O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-BA), afirmou que o ex-diretor do Ministério da Saúde Roberto Dias, denunciado por supostamente pedir propina na compra de vacinas, fez um dossiê para se defender das acusações, onde também aponta influência da Casa Civil em seu trabalho.  

"O senhor sabe que fez um dossiê para se proteger. Eu estou afirmando, não estou achando. Nós sabemos onde está esse dossiê, e com quem está. Não vou citar nomes para que a gente não possa atrapalhar as investigações. O senhor recebeu várias ordens da Casa Civil por um e-mail, lhe pedindo para atender: 'era gente nossa, essa pessoa é nossa', afirmou o senador durante o depoimento de Dias à CPI nesta quarta-feira (7). 

Durante a fala de Aziz, o ex-diretor não se pronunciou para negar as afirmações. Ao ser perguntado mais tarde pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) se ele tinha reunido documentos para se defender de acusações de pedir propina, Dias negou. "Eu devo ter alguma cópia de algum contrato que eu assinei que é público e todo mundo tem. Documento reservado a minha diretoria não tem", respondeu.

Dias foi acusado pelo policial militar e representante da Davati Medical Supply, Paulo Dominguetti, de ter pedido propina de US$ 1 por dose comprada no início da negociação de 400 milhões de doses da vacina Astrazeneca/Oxford, que não trabalha com intermediários para negociar com o Ministério da Saúde. O ex-diretor negou as acusações à CPI.

Ele chamou Dominguetti de "picareta" e disse que as acusações contra ele "partem de pessoas desqualificadas". O ex-diretor ainda afirmou que não sabia que se encontraria com Dominguetti no jantar onde ele foi acusado de pedir propina, ao que atribuiu a uma "coincidência".

Aziz, porém, mostrou mensagens divulgadas de Dominguetti que mostram o militar avisando no dia 25 de fevereiro seus superiores na Davati que se encontraria com Roberto Dias. "O Dominguetti, no dia 25, às 14h55, recebe um áudio dizendo bem assim: "está tudo acertado hoje à noite, o encontro seu com o Sr. Roberto Dias?". Ele disse: "Está, sim". Isso três horas da tarde, quinze para as três. Isso está nos áudios que nós temos do Sr. Dominguetti. Então, não pode ter sido coincidência à noite ter se encontrado, amigo", pontuou o senador. 

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