CPI da Covid

Brasil Fala da Precisa em março contradiz a própria empresa sobre Covaxin

Fala da Precisa em março contradiz a própria empresa sobre Covaxin

Ao Senado, Emanuela Medrades afirmou que nota fiscal da compra foi enviada no dia 18, enquanto empresa fala no dia 22

  • Brasil | Gabriel Croquer, do R7

No intervalo entre as versões está reunião entre denunciantes e o presidente Jair Bolsonaro

No intervalo entre as versões está reunião entre denunciantes e o presidente Jair Bolsonaro

Adriano Machado/Reuters - 13.07.2021

Em março deste ano, a diretora da Precisa, Emanuela Medrades, contradisse a versão atual de sua própria empresa sobre as notas fiscais da compra da Covaxin pelo governo federal ao falar sobre a data do envio dos documentos, hoje um aspecto central da investigação que apura suposta prevaricação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido)

Durante audiência pública ao senado, no dia 23 daquele mês, a diretora deu a data diferente do que hoje é informado pela empresa, e igual ao dia informado pelo deputado Luis Miranda e o servidor do Ministério da Saúde Ricardo Miranda, que denunciaram o caso à CPI da Covid

"Inclusive, na quinta-feira passada [dia 18], nós fizemos o pedido, encaminhamos as invoices e alguns documentos, temos alguns documentos para serem retransmitidos ao pessoal do Dimpe. Estão todos supersolícitos, atendendo-nos de uma forma pensando realmente na urgência que o assunto demanda", disse Medrades na ocasião.

A data citada por ela equivale ao dia em que, segundo a versão dos irmãos Miranda, uma primeira Invoice (nota fiscal internacional) com diversos indícios de corrupção teria sido enviada ao Ministério da Saúde.

Ao perceber os erros, contou a dupla, os documentos da compra foram levados no dia 20 de março diretamente ao presidente Bolsonaro, que se tornou investigado pela Polícia Federal após a explosão da denúncia.  

A mesma data foi citada pelo consultor do Ministério da Saúde William Amorim Santana, que supervisionou o contrato, e disse ter visto a nota fiscal após acessar e-mail da empresa com link da plataforma Dropbox.

Já a empresa se defende das acusações atualmente afirmando que a primeira invoice foi enviada somente no dia 22.  "É uma contradição central dos irmãos Miranda: quando vão ao presidente da República, no dia 20, não havia nem o arquivo, muito menos a suspeita ou o problema com o Proforma Invoice [nota fiscal internacional]", disse o presidente da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano, em vídeo enviado à CPI.

Maximiano ainda contratou um serviço de perícia para atestar que esta primeira nota fiscal só foi criada no dia 19 de março, um dia depois do envio do link ao Ministério da Saúde. Ele vai depor aos senadores nesta quarta-feira (14), junto de Emanuela Medrades, que teve o depoimento adiado nesta terça-feira (13) após alegar exaustão

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