Força-tarefa da Lava Jato discorda de punição de conselho a Dallagnol

CNMP determinou a pena de censura ao procurador por manifestação que fez em rede social sobre o senador Renan Calheiros

Dallagnol foi julgado nesta terça pelo CNMP

Dallagnol foi julgado nesta terça pelo CNMP

Alex Ferreira/Câmara dos Deputados

Os integrantes da força-tarefa da Lava Jato discordaram da decisão do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) de aplicar pena de censura ao procurador Deltan Dallagnol por postagens em rede social contrárias ao senador Renan Calheiros. 

Segundo a força-tarefa, "a reprovação de publicação sobre votação para presidente do Senado Federal diminui o espaço de contribuição de membros do Ministério Público para a democracia do país. Coibir manifestação pública, que não fira a ética e que seja engajada com a pauta de atuação funcional, acaba fixando a todo procurador e promotor uma possibilidade de participação em debates sociais e um direito de liberdade de expressão menores do que de outros cidadãos". 

Para a força-tarefa, "espera-se sempre que o CNMP esteja atento para que, sobretudo em casos nos quais se busque curvar o Ministério Público à onipotência do poder ou aos desejos daqueles que o exercem, especialmente quando detentores de elevadíssima posição na República, a proibição ou mesmo as medidas tendentes a limitar o regular exercício do direito à liberdade de expressão de membros podem se revelar um desestímulo à posição altiva e independente que se espera de procuradores e promotores".

Dallagnol, que era coordenador da Lava Jato em Curitiba, deixou o comando da força-tarefa após 6 anos.

De acordo com o MPF (Ministério Público Federal), Dallagnol se desligou da força-tarefa "para se dedicar a questões de saúde em sua família".