Brasil Ford discute venda de fábrica na Bahia com outras montadoras

Ford discute venda de fábrica na Bahia com outras montadoras

Governador Rui Costa tenta minimizar os efeitos do fechamento da maior fábrica da Ford na América do Sul

Reuters - Economia
Ford em Camaçari produz os modelos EcoSport e Ka

Ford em Camaçari produz os modelos EcoSport e Ka

Ford Divulgação

A Ford tem discussões em andamento com outras montadoras globais de veículos para a venda de seu complexo fabril em Camaçari (BA), afirmou nesta terça-feira (12) o governador baiano, Rui Costa, após reunião de grupo de trabalho criado para minimizar os efeitos da decisão da companhia norte-americana de parar de produzir no País.

"Eles verbalizaram que já têm diálogos abertos com outras montadoras globais, mas que teriam assinado protocolo de sigilo", disse Costa após a reunião, que contou com representantes sindicais e da federação industrial da Bahia. O Estado abriga a maior fábrica da Ford na América do Sul.

Costa não deu detalhes sobre os eventuais interessados na fábrica da Ford em Camaçari, que até atualmente produz os modelos EcoSport e Ka. Procurada, a Ford afirmou que não comenta especulações.

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O governador, porém, disse que o governo estadual contatou as embaixadas da China, Japão e Coreia do Sul para tentar obter apoio para encontrar interessados em assumir o complexo fabril. Na véspera, a companhia informou que "vai continuar a facilitar alternativas razoáveis para as partes interessadas assumirem as fábricas".

Na entrevista, o governador da Bahia negou afirmações do presidente Jair Bolsonaro, que afirmou nesta terça-feira que a Ford queria subsídios para manter suas operações no país. "A Ford não solicitou nenhum novo incentivo e não acho que o que levou à decisão de fechamento tenha sido ausência de incentivos", disse. Segundo ele, o que levou a Ford a optar pelo encerramento da produção no Brasil até o final deste ano foi "ausência de uma política industrial nos últimos seis anos", acrescentou.

"Estamos falando de uma situação macroeconômica que torna inviável a produção industrial no Brasil não só para a Ford, mas para vários segmentos industriais", disse Costa, referindo-se à queda do real ante o dólar, que torna difícil a importação de insumos usados na produção.

Mais cedo, o JPMorgan divulgou relatório em que afirma que a Ford amargou prejuízo de US$ 300 milhões em 2019 nas operações na América do Sul e que com a decisão de encerrar a produção no Brasil a empresa deve atingir o equilíbrio financeiro na região em 2020.

A Ford afirma que emprega em Camaçari 4.059 funcionários, mas representantes sindicais e o governador citaram números maiores, chegando a mais de 10 mil funcionários incluindo os trabalhadores das cinco empresas fornecedoras da montadora que estão no complexo fabril.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, Júlio Bonfim, presente na reunião, afirmou que na próxima segunda-feira os trabalhadores vão se reunir com a empresa para negociarem as compensações das demissões.

Segundo ele, a categoria tinha negociação para que a fábrica recebesse três novos produtos nos próximos anos o que garantiria estabilidade de emprego até março de 2024. "Vamos juridicamente ver o que podermos construir de valor agregado indenizatório", disse Bonfim, lembrando que no caso do fechamento da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo, em 2019, foi acertado o valor de 2 salários por ano trabalhado, limitado a um teto de 500 mil reais.

Na véspera, a Ford afirmou que vai assumir encargo de 4,1 bilhões de dólares com o fechamento das fábricas no país, mas não especificou o valor relacionado às demissões.

Costa afirmou que apenas em salários, a Ford em Camaçari movimentava 500 milhões de reais por mês na região metropolitana de Salvador e que em 2018 o Estado arrecadou 200 milhões de reais com a fábrica, mas os valores foram caindo para 150 milhões em 2019 e cerca de 100 milhões em 2020, em meio à queda nos volumes vendidos.

Segundo o governo baiano, o Estado concedeu à Ford 948 milhões de reais em benefícios fiscais entre 2018 e 2020, enquanto o investimento da companhia em Camaçari entre 2015 e 2019 foi de 2,5 bilhões de reais.

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