Notícia Boa
Brasil Fotógrafa é a única brasileira selecionada para trabalhar em documentário da ONU

Fotógrafa é a única brasileira selecionada para trabalhar em documentário da ONU

Maria Ribeiro conseguiu ser escolhida por seu trabalho de diversidade e aceitação

Fotógrafa é a única brasileira selecionada para trabalhar em documentário da ONU

Maria foi única brasileira selecionada

Maria foi única brasileira selecionada

Julia Rodrigues/Arquivo Pessoal

Em 2014, quando começou um projeto de fotografia de mulheres de forma natural, a fotógrafa Maria Ribeiro não imaginava chegar onde está hoje. A intenção era promover a diversidade e a aceitação da mulher.

Após publicar um livro sobre promover a diversidade por meio de ensaios naturais, foi indicada para participar de uma seleção feita pela ONU (Organização das Nações Unidas) Mulheres para o prêmio Ivone Hebert, que escolheria 11 fotógrafas ou cineastas para criar um filme a ser apresentado na Comissão de Mulheres nos Estados Unidos. Maria foi a única brasileira selecionada.

O R7 conversou com a fotógrafa. A seguir, ela conta um pouco de sua trajetória e do trabalho.

R7: Conte um pouco do seu trabalho e de sua trajetória.

Maria: Todo o trabalho que realizo com fotografia feminina começou quando comecei a questionar os padrões de beleza criados pela mídia através da imagem da mulher. Trabalhando com publicidade, percebi como essas imagens são fabricadas de forma artificial através de softwares de manipulação para criar um padrão impossível de ser atingido.

R7: Por que a imagem da mulher é fabricada?

Maria: Dentro da sociedade em que vivemos, o corpo da mulher é o primeiro alvo a sofrer infinitas represálias. Ainda que nos mutilemos, nos esforcemos, que façamos um investimento de muito tempo, vontade, dinheiro e energia para o tão almejado "corpo perfeito", parece que nunca chegaremos lá. E não mesmo, porque esse não é o objetivo do sistema.

R7: Parece obrigação estar dentro de um padrão...

Maria: O modelo ideal é feito sob medida para ninguém, perfeito para que passemos a vida inteira escravizadas inutilmente em busca de conquistá-lo. Já disse Naomi Wolf que "a obsessão pela magreza feminina não é uma obsessão pela beleza feminina, mas sim pela obediência feminina. As dietas são um instrumento poderoso no processo de submissão das mulheres, pois uma população passivamente insana é facilmente controlada". Isso porque essa programação insistente e sistemática incutida em nosso inconsciente desde que nos entendemos por gente no sentido de que somos imperfeitas, insuficientes e falhas no que toca o nosso corpo tem consequências que ultrapassam e muito a questão física.

R7: Isso pode provocar algum tipo de decepção?

Maria: A sensação de frustração e incapacidade faz com que as mulheres se sintam menos merecedoras, menos confiantes e isso faz com que elas se submetam a relacionamentos abusivos tanto a nível familiar quanto social e profissional. E isso não está sendo falado o suficiente. Desconstruir conceitos é um processo, e é isso que venho trabalhando através da fotografia, um processo de encontro, que promove a diversidade e a representatividade.

R7: Quem procura o seu trabalho?

Maria: As mulheres que me procuram para serem fotografadas sabem como eu trabalho e se abrem a uma experiência que traz uma nova forma de se relacionar com o próprio corpo, a própria imagem e com o seu lugar na sociedade. O livro Nós, Madalenas — uma palavra pelo feminismo foi o resultado de um dos projetos dentro desse conceito, onde fotografei cem mulheres de diferentes corpos e contextos com a palavra que representa o feminismo para cada uma delas estampada em seus corpos.

R7: O que contém essas imagens do livro?

Maria: O livro traz essas cem fotografias e um relato de cada uma delas compartilhando a própria história. Além de promover um relato plural, tão plural quanto o próprio feminismo, o livro traz a mensagem de que nossas histórias importam, nossas dores são reais e nossas conquistas são resistência. E que, juntas, temos a capacidade de provocar mudanças na sociedade.

R7: Quando você recebeu o convite? Como foi?

Maria: A ONU Mulheres abriu o prêmio Inove Hebert, o qual selecionou fotógrafas e cineastas de diversos países do mundo para criar um documentário artístico para ser exibido na CSW61 (Comission os the Status of Women). Os critérios eram a excelência no exercício da profissão e a contribuição para os direitos da mulher e empoderamento feminino. Fui indicada pela FRIDA (The Young Feminis Fund) e entre centenas de candidatas do mundo todo, fui uma das fotógrafas a receber o prêmio e realizar esse trabalho.

R7: Como será o seu trabalho agora e como está sendo o processo?

Maria: O documentário já foi exibido e foi uma experiência única. Ter contato com ativistas do mundo inteiro e discutir o tema "O pessoal é político" me fez perceber como podemos agir em conjunto e criar movimentos capazes de criar transformações na nossa sociedade. Diante de uma onda de conservadorismo mundial, devemos nos unir para conservar nossas conquistas e expandir a consciência e a reflexão acerca do tema de nossos projetos. Os filmes serão em breve exibidos nas redes sociais da ONU e diversos países do mundo. Além disso, fui convidada a falar sobre o meu trabalho e dar um workshop sobre "artivismo" — ativismo através da arte. Foi emocionante poder compartilhar meu trabalho, falar sobre a importância da diversidade e da representatividade no que concerne a imagem da mulher na mídia.

R7: O que espera desse trabalho?

Maria: Além da honra de ver meu trabalho sendo apresentado na ONU para ativistas e artistas do mundo inteiro, espero que isso seja uma ferramenta de maior consciência sobre a importância de desconstruirmos os padrões irreais de beleza propagados pela mídia.