Geddel Vieira telefona para Temer e nega pressão para liberar obra

Ex-ministro da Cultura diz que foi pressionado por Geddel para liberar construção em Salvador

Geddel Vieira telefona para Temer e nega pressão para liberar obra

Temer quer reunir-se com Geddel para ouvir sua versão sobre o fato

Temer quer reunir-se com Geddel para ouvir sua versão sobre o fato

Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro-chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, telefonou na manhã deste sábado (19) para o presidente Michel Temer, que se encontra em São Paulo, para se explicar. Ele negou haver pressionado o ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, a liberar a construção de um edifício no centro histórico de Salvador onde teria um apartamento. Temer quer reunir-se com Geddel para ouvir sua versão sobre o fato. Calero demitiu-se nesta sexta-feira (18).

No momento, a tendência é que o Planalto não tome nenhuma atitude adicional no fim de semana. A interpretação nos bastidores é que há uma "guerra de versões". O presidente já conversou com Calero e vai ouvir Geddel. Auxiliares do presidente dizem que as acusações de Calero são muito graves e questionam se ele tem provas do que afirmou. Do contrário, observa um interlocutor de Temer, é possível que Geddel o processe. Dada a gravidade das acusações, o Conselho de Ética da Presidência será acionado.

Comissão de ética discutirá caso Geddel na segunda-feira de manhã

Na entrevista concedida à Folha, Calero afirma que foi pressionado por Geddel a impedir que o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) nacional revisse uma autorização dada pelo Iphan da Bahia, liberando a construção de um prédio de apartamentos no centro histórico de Salvador. Por estar nas proximidades de uma área tombada, o empreendimento só poderia ter 13 andares. Mas o edifício teria perto de 30 andares.

Geddel teria dito a Calero que havia comprado um apartamento "num andar alto". O ex-ministro da Cultura revelou também que foi pressionado por integrantes do governo a enviar o caso à AGU (Advocacia Geral da União), que supostamente daria um parecer dizendo que o Iphan nacional não poderia rever a decisão do Iphan baiano.