Brasil Generais do Exército querem se afastar de radicalização, diz jornal

Generais do Exército querem se afastar de radicalização, diz jornal

Segundo o Estadão, o comandante do Exército decidiu não ter conta pessoal no Twitter e quer manter a instituição longe da polarização política

Bolsonaro

Bolsonaro participa de cerimônia do hasteamento da Bandeira Nacional, em Brasília

Bolsonaro participa de cerimônia do hasteamento da Bandeira Nacional, em Brasília

DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO - 21.5.2019

Generais do Exército estão estão preocupados com a radicalização que toma conta do debate político, aproximando o país novamente do clima que imperou durante as eleições, e que poderá marcar os atos pró-governo do presidente Jair Bolsonaro, marcados para o próximo dia 26 de maio.

De acordo com matéria publicada nesta terça-feira (21) pelo colunista Marcelo Godoy, do Estadão, os militares acreditam que os protestos – contra ou favor do governo Bolsonaro –, desde que sem violência, são parte integrante da democracia. Contudo, o respeito à ordem e à lei não é mais suficiente para acalmar suas apreensões.

Os generais estão preocupados também a existência de palavras de ordem, como aquelas que pregam o fechamento do Congresso e do STF (Supremo Tribunal Federal), além dos pedidos por um golpe de Estado.

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"Essa exacerbação é péssima”, disse um general, referindo-se ao que dizem algumas das pessoas que pretendem se manifestar no dia 26, em defesa de Bolsonaro.

“O presidente está buscando o pessoal dele para sentir seu apoio, enquanto o outro lado começa a falar em parlamentarismo branco. Há radicais de ambos aos lados. É preciso jogar água nessa fervura”, confidenciou um general.

Os radicais estariam tanto no PSL quanto na oposição. Exemplo disso seria a condução da crise envolvendo o contingenciamento de verbas no Ministério da Educação.

Na última sexta-feira (17), o próprio presidente Bolsonaro elevou a temperatura política ao compartilhar pelo WhatsApp um texto o qual ele próprio qualificou como leitura obrigatória. Afirmava ter certeza: “o sistema vai me matar”. Dizia que o Brasil era ingovernável e punha a culpa no que chamou de “corporações”.

“A continuar tudo como está, as corporações vão comandar o governo Bolsonaro na marra e aprovar o mínimo para que o Brasil não quebre, apenas para que continuem mantendo seus privilégios”, seguia o texto. “A hipótese nuclear é uma ruptura institucional irreversível, com desfecho imprevisível”, concluía.

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Pegos de surpresa, os comandos militares tentaram, na sexta-feira passada, dar a impressão de que a vida seguia normal nos quartéis. Era como se nada daquilo tivesse a ver com cada uma das Forças, que nas casernas cuidavam de suas tarefas, desde a acolhida aos refugiados da catástrofe humanitária venezuelana até a vigilância da costa e da faixa de fronteira no Sul e no Centro-Oeste do País.

Ao mesmo tempo, os generais reafirmavam que não haverá “ruptura” . “Não passa pela cabeça de ninguém (dos generais)”, afirmou um oficial. O Exército quer distância do barulho. Qual o papel nesse contexto desempenhado pelo chefe, o general Edson Pujol?

Não é só a presença militar no primeiro escalão que diferencia o governo Bolsonaro de seu antecessor. Mas também o perfil de quem comanda o Exército, o general Pujol. Ele é comandante que faz do contato direto com a tropa o centro de sua comunicação.

O Exército acredita que deve “fortalecer sua imagem como instituição de Estado, coesa e integrada à sociedade”. Um Exército, pois, que deve se manter distante da política partidária e de sua polarização, enquanto procura aumentar sua capacitação técnica para enfrentar os desafios da modernidade.

Se antes a Força tinha em Eduardo Villas Bôas um nome conhecido do mundo político, que se manifestava durante os debates públicos, agora, o Exército tem Pujol, um comandante cuja ênfase é voltada ao público interno, à capacitação técnica, à transformação da Força – mantendo suas tradições e valores éticos.

Em um governo que busca mobilizar o país pelos posts no Facebook ou pelos tuítes do presidente e de seus filhos, em que o guru da Virgínia tenta lhe impor o programa de uma facção como o caminho a seguir e a rede bolsonarista na internet se manifesta de forma virulenta contra adversários e aliados, o Exército e os generais do Executivo procuram distância de extremos.

Neste sentido, não poderia haver um comandante mais adequado. Pujol não tinha conta no Twitter. E decidiu permanecer assim. Para além do estilo e do pensamento do homem, dar recados pela rede social não é mais uma necessidade do comandante quando o governo conta com tantos generais.