Eleições 2018
Brasil Governador com mais tempo no cargo, Alckmin renuncia nesta sexta

Governador com mais tempo no cargo, Alckmin renuncia nesta sexta

Entre idas e vindas, tucano já esteve no Palácio dos Bandeirantes por mais de 12 anos e agora sai para se dedicar à campanha presidencial

Governador com mais tempo no cargo, Alckmin renuncia nesta sexta

No dia 30 de março de 2006, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), apresentava sua carta de renúncia. O motivo era a disputa presidencial em que ele seria candidato. Passados 12 anos, a cena se repete nesta sexta-feira (6).

O tucano é o governador que mais tempo ocupou o cargo: pouco mais de 12 anos à frente do Palácio dos Bandeirantes, entre idas e vindas.

Alckmin foi derrotado em 2006 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que acabou reeleito no segundo turno com uma votação recorde: 60,8%, contra 39,2%.

Mais de uma década depois, o cenário que aguarda Alckmin é incerto, apesar de a alta popularidade do PT ter despencado.

O tucano poderá ter Lula novamente como adversário na disputa, que também terá outros nomes estreantes, como o do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ), atual segundo colocado nas pesquisas de intenção de votos (em um cenário que inclui o petista).

Lava Jato

Alckmin é apontado nas delações de executivos da empreiteira Odebrecht como beneficiário de R$ 10,7 milhões de propina. Parte desses valores teria sido paga pessoalmente ao cunhado dele, Adhemar César Ribeiro.

O pré-candidato à Presidência nega ter recebido qualquer valor irregular em suas campanhas. O caso tramita no STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Crises em SP

Nesses últimos dois mandatos como governador, o tucano sofreu duras críticas em algumas situações.

Um dos episódios mais marcantes foi a crise hídrica, que atingiu boa parte do Estado e deixou milhões de paulistanos sem uma gota de água na torneira. Em ano eleitoral (2014), o governador culpou a seca e apresentou obras emergenciais.

Especialistas diziam que o governo falhou ao não prever que São Paulo poderia enfrentar um verão sem chuvas e não investiu o suficiente.

De 2011 a 2017, o Estado registrou aumento de 8,7% do número de vítimas de latrocínio (roubo seguido de morte), na comparação com os sete anos anteriores. Foram 2.508 vítimas nesse período, média de quase uma morte por dia.

Os crimes de roubo também registraram uma escalada no mesmo período: 25% mais registros.

Foi também durante o governo Alckmin que foi descoberto o escândalo que ficou conhecido como Cartel dos Trens. Há suspeita de que ao menos 15 concorrências do Metrô e da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) tenham sido fraudadas. Os contratos somam mais de R$ 9 bilhões.

O esquema teria funcionado de 1998 até 2013 e envolveu desde empreiteiras até fabricantes de trens. As investigações também atingiram ex-dirigentes do Metrô e da CPTM.

Porém, o escândalo que mais abalou o governo foi fraudes nos contratos para o fornecimento de merenda escolar no Estado. As investigações apontaram irregularidades nos contratos R$ 13,5 milhões com uma cooperativa responsável por entregar suco de laranja. O caso rendeu ocupações de escolas e protestos.

Parte do dinheiro desviado teria sido usado para financiar a campanha do deputado Fernando Capez, então presidente da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) em 2014.

Uma CPI (comissão parlamentar de inquérito) chegou a ser aberta na Assembleia Legislativa, mas o relatório final isentou qualquer político de envolvimento no caso. 

Quem é Geraldo Alckmin

Geraldo Alckmin, tem 65 anos, nasceu em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, cidade onde foi vereador e prefeito. É médico anestesista por formação, mas atua na política desde os 19 anos.

Foi eleito deputado federal constituinte em 1987, pelo MDB, partido que integrou até 1998. Juntamente com uma ala de dissidentes que incluía Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, André Franco Montoro e José Serra, Alckmin fundou o PSDB.

Ele chegou ao governo paulista em 1995, como vice de Covas, e permaneceu até 2001, quando o governador morreu, vítima de um câncer.

No ano seguinte, disputou a reeleição e derrotou José Genoino (PT), no segundo turno. Com a derrota para Lula nas eleições presidenciais em 2006, ficou sem cargo público e viajou para os Estados Unidos, onde estudou políticas públicas, retornando na metade de 2007.

O tucano tentou a eleição para a Prefeitura de São Paulo, em 2008, mas ficou fora do segundo turno. De janeiro de 2009 até abril de 2010, foi secretário estadual de Planejamento, a convite de José Serra. Deixou o cargo para disputar o governo do Estado. Em outubro, Alckmin foi eleito no primeiro turno, com 50,58% dos votos válidos.

Alckmin casou-se em 1979 com Maria Lúcia, ou Lu Alckmin, com quem teve três filhos: Sophia, Geraldo e Thomaz, este último morto em 2015, aos 31 anos, em um acidente de helicóptero. O governador também é avô de quatro netos.

O jeito calmo, sempre com um discurso previsível, rendeu a Alckmin o apelido de "picolé de chuchu", em 2002, pelo colunista José Simão.

Questionado recentemente sobre a expressão, o pré-candidato ao Planalto disse não se incomodar. "A população não quer um showman, ficar fazendo pirotecnia, espetáculo", rebateu.

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