CPI da Covid

Brasil Governo comprou 100 mi de doses a menos do Covax, diz Francieli

Governo comprou 100 mi de doses a menos do Covax, diz Francieli

Ex-coordenadora da Saúde recomendou até 140 milhões de doses, mas só 42 milhões foram compradas pelo governo do consórcio

  • Brasil | Do R7

Ministério optou pela compra da menor cota de consórcio de vacinas da OMS

Ministério optou pela compra da menor cota de consórcio de vacinas da OMS

Adriano Machado/ REUTERS 08.07.2021

A ex-coordenadora do PNI (Programa Nacional de Imunizações) Francieli Fantinato, afirmou nesta quinta-feira (8) à CPI da Covid que o governo Bolsonaro optou por comprar cerca de 100 milhões de doses de vacinas contra covid-19 a menos do que o recomendado por técnicos do Ministério da Saúde em relação ao Covax Facility, consórcio internacional da OMS (Organização Mundial da Saúde) para fomento e distribuição de imunizantes.

"Do dia 19 de junho [de 2020] o nosso quantitativo variava, com os cenários de incerteza, de 140 milhões a mais ou menos 242 milhões de doses, tendo em vista uma única dose, porque não se tinha na época nenhum pre print falando que essas vacinas de duas doses", disse Fantinato sobre a nota técnica com recomendações ao governo.

O Ministério da Saúde, porém, optou por aderir a menor cota do Covax Facility, de 10%, o que equivale a 42 milhões de doses. Destas, o governo recebeu até agora pouco mais de 5,8 milhões, da Pfizer e da Astrazeneca/Oxford. 

Um pouco antes de falar sobre a recomendação, Francieli também afirmou que chegou a perguntar pessoalmente à área executiva do ministério se a adesão ao Covax não seria maior. "O que me foi respondido é que não era para se investir todos os ovos na mesma cesta, um linguajar assim, que não poderia se investir em tudo isso, porque era um investimento de risco", comentou. 

O então ministro na época, Eduardo Pazuello, foi questionado durante seu depoimento à CPI pela compra da menor cota do consórcio. Ele justificou a decisão considerando o preços das vacinas e a falta de garantias. 

"Não havia garantia de fornecimento. Então, naquele momento, o que nós nos preocupamos era que nós assumíssemos um grau de recursos altíssimo sem uma garantia de entrega efetiva do laboratório. A Covax Facility não nos dava nem data, nem cronograma, nem garantia de entrega”, explicou o ex-ministro.

(Com informações da Agência Brasil)

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