Governo do DF diz que removeu acampamento devido à pandemia

As secretarias de Segurança Pública e DF Proteção da Ordem Urbanística afirmaram ter atuado com o respaldo do decreto que proíbe aglomerações

Área onde acampamento foi desmontado em Brasília

Área onde acampamento foi desmontado em Brasília

Dida Sampaio/Estadão Conteúdo 13.06.2020

O governo do Distrito Federal informou ter removido o acampamento bolsonarista "300 do Brasil" neste sábado (13) por causa das medidas restritivas decretadas durante a pandemia do novo coronavírus. Insatisfeitos, os acampados cobraram nas redes sociais que o presidente Jair Bolsonaro reaja à operação de desmontagem, realizada pela manhã.

As secretarias de Segurança Pública e DF Legal (Proteção da Ordem Urbanística) afirmaram ter atuado com o respaldo do decreto distrital que "proíbe aglomerações com mais de 100 pessoas em eventos que demandem a autorização prévia do governo".

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O decreto número 40.509/20 foi assinado em março pelo governador Ibaneis Rocha (MDB). Ele foi xingado pelos manifestantes removidos neste sábado. Além disso, as secretarias ressaltaram que o grupo ocupava área pública na Esplanada dos Ministérios, "o que não é permitido".

Os agentes de segurança agiram, segundo o governo, em apoio aos servidores do DF Legal para desmontar os "acampamentos irregulares". "Houve diversas tentativas de negociação para a desocupação da área, mas, infelizmente, não houve acordo. Os acampamentos foram desmontados sem confronto", informaram as pastas.

O grupo "300 do Brasil" protestava frequentemente contra os demais poderes - Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF) - e a favor do presidente Jair Bolsonaro. Eles estavam acampados na Esplanada dos Ministérios há mais de um mês e travavam uma disputa judicial com o Ministério Público para permanecer no local.

Diante da suspeita de que portassem armas e das restrições a aglomerações determinadas para evitar o aumento de casos de covid-19, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios pediu a remoção do acampamento na Justiça, o que foi negado. A assessoria de imprensa do MP disse que a operação do governo não tem relação direta com o pedido feito ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios.

Uma das líderes do movimento é a ativista Sara Giromini, conhecida como Sara Winter. Ela disse que a militância bolsonarista foi "destruída" e relatou "agressões". Ex-ocupante de cargo de confiança no Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, chefiado pela ministra Damares Alves, Sara é investigada pela Polícia Federal no inquérito judicial das fake news, em curso no Supremo.