Brasil Governo é inábil na conversa com Congresso, diz Marcelo Ramos

Governo é inábil na conversa com Congresso, diz Marcelo Ramos

Ramos disse que a reação do governo à retirada do Coaf do Ministério da Justiça criou conflitos dentro de partidos que têm simpatia pela reforma

Ramos disse que não houve para o Palácio do Planalto

Ramos disse que não houve para o Palácio do Planalto

Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

O presidente da comissão especial da reforma da Previdência, Marcelo Ramos (PR/AM), afirmou nesta sexta-feira (10) que o governo tem sido inábil no trato com o Congresso. Para ele, não houve derrota para o Palácio do Planalto na reforma administrativa, mas a confusão feita pelo governo pela derrubada de um item resultou em passos para trás no debate. "Hoje o maior inimigo da reforma é o próprio governo", disse.

Segundo o deputado, a reação do governo à retirada do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) do Ministério da Justiça, no texto da reforma administrativa, criou conflitos internos dentro de partidos que têm simpatia pela reforma, além de ruídos com o presidente da Casa, Rodrigo Maia.

"Sabe aqueles jogos de tabuleiro? O governo joga os dados e de vez em quando ele tira 6. Mas quando ele tira 6, ele cai naquela casa: volte 7 casas. Eles sempre conseguem isso", afirmou Ramos.

Resistência

Ele disse que o tamanho do impacto fiscal da proposta será proporcional à resistência dos parlamentares à pressão dos servidores públicos.

"A pressão dos servidores, que praticamente inexistiu na Comissão de Constituição e Justiça, hoje está sendo forte no Congresso", disse o deputado a jornalistas, após participar de evento na FGV (Fundação Getulio Vargas).

Ramos também comentou a questão do abono na reforma e disse que esse será um debate "tenso". No entanto, afirmou que, "se tirar" o impacto fiscal é "muito grande". "Começaria a comprometer", disse.

Para ele, nas condições atuais, há mais chance de o item permanecer na reforma do que ser retirado.

Além disso, o deputado afirmou que não há meio termo para o item da reforma referente ao abono. "Eu não vejo caminho alternativo, e olha que eu gosto de caminhos alternativos", disse.