Brasil Henrique Alves, deputado há 42 anos, é o favorito na disputa pela presidência da Câmara

Henrique Alves, deputado há 42 anos, é o favorito na disputa pela presidência da Câmara

Deputados com candidaturas alternativas se organizam para conseguir 2º turno

Henrique Alves, deputado há 42 anos, é o favorito na disputa pela presidência da Câmara

Henrique Alves deve ser presidente da Câmara depois de 11 mandatos

Henrique Alves deve ser presidente da Câmara depois de 11 mandatos

Jose Cruz/ABr

O nome mais forte para assumir a presidência da Câmara é o do deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), candidato oficial do governo e líder do PMDB na Casa.

O parlamentar está em seu 11º mandato seguido e é deputado há 42 anos. Não é de hoje que Henrique Alves almeja o cargo de presidente da Câmara e tem propostas polêmicas no Congresso.

Ele defende, por exemplo, que os salários dos deputados sejam iguais aos dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), que hoje passa dos R$ 28 mil.

O deputado também já declarou que a Câmara não pode abrir mão da prerrogativa de ter a palavra final sobre a cassação do mandato de deputados condenados no mensalão.

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Com esse posicionamento, o deputado entraria em conflito com o Supremo, que decidiu que os parlamentares estão automaticamente cassados e cabe à Câmara somente declarar os cargos vagos.

Mesmo depois das lideranças do PMDB terem confirmado o nome de Henrique Alves, uma peemedebista lançou candidatura própria porque não concorda com o nome escolhido.

Outros dois deputados também trabalham para conseguir levar a eleição para segundo turno.

Alternativas

A primeira vice-presidente da Câmara, deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), decidiu concorrer ao cargo como candidata alternativa. Ela alega que nunca houve uma reunião partidária para escolher o nome oficial e que Henrique Alves se “autonomeou” candidato do PMDB.

— Eu não estou rachando nada, eu estou prezando a coerência política. Eu quero que a Câmara mude. Eu já fiz parte de uma Câmara muito melhor que essa.

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Rose explica que foi ela quem sugeriu o nome de Henrique Alves para a liderança do partido e que havia um compromisso de rodízio, mas que isso nunca ocorreu e ele ocupa o cargo há sete anos. Rose de Freitas diz que entrou na eleição para ganhar e contabiliza entre 80 e 90 votos.

Também correndo por fora, o quarto secretário da Câmara, deputado Júlio Delgado (PSB-MG), lançou sua candidatura. Ele diz que conta com os votos de simpatizantes e o “apoio velado”, daqueles que não podem se manifestar publicamente para não contrariar os partidos. De acordo com o deputado, a ideia é levar as eleições para o segundo turno.

— Existem alternativas de mudança real, e vamos consolidar isso com essas candidaturas alternativas. Queremos mostrar que a Câmara pode ser mais interativa para dentro e para fora.

Baixo clero

Outra candidatura independente é a do deputado Ronaldo Fonseca (PR-DF). Em seu primeiro mandato na Câmara, Fonseca diz ter apoio de uma parte da bancada evangélica e contabiliza pelo menos 70 votos.

Com o discurso afinado com os outros dois candidatos alternativos, o deputado afirma que é preciso resgatar o Congresso Nacional e que a Câmara não pode continuar do jeito que está,“mal avaliada pela opinião pública”.

Ronaldo Fonseca admite que entrou na disputa para dividir os votos.

— Com a minha entrada agora, a eleição vai para segundo turno. Só não sabemos qual dos três vai disputar com Henrique Eduardo Alves.

Voto secreto

A eleição para presidência da Câmara dos Deputados está marcada para a primeira segunda-feira de fevereiro, dia 4. O processo ocorre em votação secreta, com cédulas de papel. No entanto, existe a possibilidade da Câmara usar urnas eletrônicas neste ano.

Para ganhar a disputa, o deputado precisa da maioria absoluta de votos, ou seja, mais da metade. Se nenhum candidato conseguir pelo menos 257 votos, a eleição vai para segundo turno, onde os dois mais votados disputam a preferência dos parlamentares.

As duas últimas eleições foram decididas no primeiro turno. Em 2011, o atual presidente da Casa, Marco Maia, venceu com 375 votos. Antes dele, Michel Temer ganhou a disputa em 2009, com 304 votos.

Como a escolha do presidente se dá por um acordo previamente estabelecido entre os partidos, geralmente não há surpresas nas votações.

O último caso de segundo turno foi em 2007, quando Arlindo Chinaglia concorreu com Aldo Rebelo e venceu com 261 votos.

Zebra

No entanto, mesmo com o acordo entre os líderes, nunca há um candidato único e já houve casos de um deputado com candidatura independente, sem apoio oficial de nenhum partido, vencer a disputa.

Em 2005, Severino Cavalcanti foi eleito em segundo turno com 300 votos, 105 a mais que Luiz Eduardo Greenhalgh, que era o candidato oficial do governo e da bancada do PT, a maior da Câmara.