Brasil Henrique Eduardo Alves é o primeiro ministro do PMDB a entregar cargo; outros 4 devem sair do governo

Henrique Eduardo Alves é o primeiro ministro do PMDB a entregar cargo; outros 4 devem sair do governo

Dos sete ministros peemedebistas, apenas dois devem trocar de partido e ficar no cargo

  • Brasil | Chris Lemos, colunista do R7*

Henrique Alves e Dilma, durante a posse, em 2014

Henrique Alves e Dilma, durante a posse, em 2014

Roberto Stuckert Filho/16.04.2015/PR
Carta de Henrique Alves à Casa Civil

Carta de Henrique Alves à Casa Civil

Reprodução

O ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, entregou carta ao Ministério da Casa Civil comunicando que vai deixar o cargo. Alves é o primeiro nome do PMDB a desembarcar do governo da presidente Dilma Rousseff.

"Todos — o Governo que assumi e o PMDB que sou — sabem que sempre prezei o diálogo permanente", afirma Alves na carta de demissão. "Diálogo este que — lamento admitir — se exauriu" (veja abaixo a íntegra da carta).

Até o final de terça-feira (29), outros nomes do partido devem fazer o mesmo. Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) e Helder Barbalho (Portos) já confirmaram que entregarão seus postos após conversa com o vice-presidente Michel Temer.  

Mauro Lopes (Aviação Civil), que tomou posse há apenas 10 dias, deve acompanhá-los. Eduardo Braga (Minas e Energia), que vem defendendo Dilma, vai dizer que se curva à decisão do partido.

A ruptura do PMDB com o governo foi admitida como irreversível esta manhã por Braga, que levou a notícia diretamente à presidente, logo após se reunir com Temer, no Palácio do Jaburu.

Deu errado a estratégia do Planalto de tentar dividir o PMDB e de retaliar o partido, oferecendo cargos de pemedebistas para outras legendas. A atitude só irritou mais os que estavam prestes a romper e acelerou o processo, com a adesão de vários diretórios estaduais ao longo das últimas 72 horas.

Kátia Abreu e Marcelo Castro

Deve permanecer no governo a ministra Kátia Abreu (Agricultura), que é indicação pessoal da presidente Dilma Rousseff, e provavelmente voltará a seu antigo partido, o PSD.

Marcelo Castro (Saúde) é outro que pode ficar no cargo. Ele se sente moralmente comprometido com o combate ao zika vírus.

Nesta terça-feira (28), o diretório nacional do PMDB reúne-se para definir a saída da sigla da base aliada. Dos 127 votantes, cerca de dois terços devem optar pela saída.

Temer não comparecerá à reunião, que será comandada por Romero Jucá. Para dar uma demonstração de união, o PMDB pode nem votar a questão e decidir por aclamação.

Governistas

Na Câmara, líderes governistas confirmam, que para evitar que partidos médios também rompam com Dilma, a oferta de cargos já começou. Silvio Costa (PTdoB-PE), vice-líder do governo, destacou que, apesar de ter 69 deputados, o PMDB só vinha garantindo poucos votos a favor do governo na Câmara.

— Onde é que está escrito que os partidos desta Casa são 'Maria vai com as outras'? Vamos repactuar com os demais aliados. Eles têm o direito a governar. O PMDB tem sete ministérios e só dá trinta votos. Tem muito partido se queixando disso. O que vale é o painel [de votações].

Confira a íntegra do documento com o pedido de exoneração do ministro do Turismo:

Venho por meio desta carta entregar o honroso cargo de Ministro do Turismo do seu governo e agradecer por toda a confiança e respeitosa relação mantida durante esses onze meses em que trabalhamos juntos.

Pensei muito antes de fazê-lo, considerando as motivações e desafios que me impulsionaram a assumir o Ministério (e que acredito ter honrado): fazer do Turismo uma importante agenda econômica política e social do governo e do País.

Mas independentemente de nossa intenções, o momento nacional coloca agora o PMDB, o meu partido há 46 anos, diante do desafio maior de escolher o seu caminho, sob a presidência do meu companheiro de tantas lutas, Michel Temer.

Todos - o governo que assumi e o PMDB que sou, sabem que sempre prezei o diálogo permanente. Diálogo este que - lamento admitir - se exauriu.

Assim, Presidenta Dilma, é a decisão que tomo. Não nego que difícil, mas consciente, coerente, respeitando o meu Rio Grande do Norte, e sempre - como todos nós, na luta por um Brasil melhor.

Estou certo de que, sendo a Senhora alguém que preza acima de tudo a coerência ideológica e a lealdade ao seu próprio partido, entenderá minha decisão.

Respeitosamente, Henrique Eduardo Alves

*Colaborou Cláudia Gonçalves, da TV Record em Brasília

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