'Incompatível com valores culturais’, diz Instituto do Patrimônio sobre condomínio em Salvador

Suposta pressão para liberar obra motivou saída de ministro da cultura

'Incompatível com valores culturais’, diz Instituto do Patrimônio sobre condomínio em Salvador

Ministro Geddel (esq) teria pressionado o então ministro da cultura Marcelo Calero para liberar obra em Salvador

Ministro Geddel (esq) teria pressionado o então ministro da cultura Marcelo Calero para liberar obra em Salvador

Valter Campanato/Agência Brasil; Reprodução Facebook

Dois dias antes de o agora ex-ministro da Cultura Marcelo Calero pedir demissão, a presidente do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), Kátia Bogéa, determinou o embargo das obras do condomínio La Vue, na Ladeira da Barra, em Salvador.

O despacho de Kátia Bogéa leva em conta parecer técnico da Câmara de Análise de Recursos do Iphan, que, segundo ela, é "contundente" ao afirmar que é "grande e prejudicial o possível impacto da construção do empreendimento sobre bens tombados em seu entorno".

Ainda conforme o despacho da presidente do Iphan, o parecer técnico afirma "de modo incontestável", que a construção do La Vue é "incompatível com os valores culturais atribuídos a estes bens".

Entre os imóveis tombados no entorno do edifício estão a igreja de Santo Antonio da Barra, o outeiro de Santo Antonio e o forte Santa Maria.

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O terreno onde se localiza a obra do Le Vue fica a poucos metros da praia e do farol da Barra, um dos mais conhecidos cartões postais de Salvador. Segundo o site do empreendimento, se trata de uma torre com 24 apartamentos de 259 metros quadrados cada, um por andar, com cobertura "top house" 450 metros quadrados, "piscina com raia e deck molhado, espaço gourmet, fitness, sauna massagem, sala de jogos, brinquedoteca, quadra, parque infantil".

O Iphan quer impor um limite de 13 andares para a obra. O despacho de Kátia Bogéa revoga decisão anterior do Iphan da Bahia que liberava a obra em sua totalidade.

O presidente da associação de moradores e amigos do bairro da Barra, Watson Raylan, imagina a realização do que prevê a maquete do empreendimento. "Quem quer ver prédio vai a Nova York. Quem vem a esta região quer ver é o Porto da Barra", afirmou.

O La Vue foi assunto de reunião da associação, que se posiciona contra a construção do prédio com gabarito acima do limite imposto pelo Iphan. "Além de alterar a paisagem tombada, o prédio significa outros impactos, como no trânsito local", disse Raylan.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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