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Brasil Instituto Lula tenta justificar doações recebidas de empresa da Lava Jato

Instituto Lula tenta justificar doações recebidas de empresa da Lava Jato

Reportagem da revista Veja afirma que ex-presidente recebeu fortuna da Camargo Corrêa

  • Brasil | Do R7

O Instituto Lula divulgou nota em que tenta justificar doações recebidas da Camargo Corrêa, empresa investigada pela Operação Lava Jato. A publicação sai em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dizendo que as denúncias não passam de “difamação”.

Edição da revista Veja, publicada no último sábado (13), afirma que o ex-presidente e o Instituto receberam cerca de R$ 4,5 milhões da empresa suspeita de participar dos esquemas de corrupção identificados pela Lava Jato. A empresa chegou a pagar mais de R$ 800 mil por duas palestras de Lula.

O montante recebido por Lula e seu instituto, segundo investigações da PF, foi dividido assim: R$ 1,5 milhão para a LILS Palestras e Eventos e Publicidade LTDA., por conta das palestras, e outros R$ 3 milhões para o Instituto Luiz Inácio Lula da Silva.

O Instituto se defendeu das acusações afirmando que “como tantas instituições ligadas a ex-chefes de governo”, ele “recebe contribuições de empresas privadas para manter suas atividades”.

A nota também afirma que “não há dinheiro público, nem direta nem indiretamente, no Instituto Lula” e que “não existe relação financeira entre a empresa e o Instituto Lula”.

Conhecido como o pai dos pobres no Brasil, já que supostamente acabou com a fome no País, o ex-presidente só viaja em jatinhos e exige hospedagem em hotéis cinco estrelas nos países para onde vai palestrar.

Em setembro de 2011, Lula embarcou para Portugal para palestrar sobre a crise econômica mundial a pedido da Camargo Corrêa. O ex-presidente ganhou cerca de R$ 340 mil pela apresentação, conforme a revista.

Pouco tempo depois, a Camargo Corrêa chegou a pagar R$ 815 mil por apresentações de Lula em Moçambique e África do Sul em novembro de 2012.

Oficialmente, o ex-presidente foi aos países africanos para trabalhar por “cooperação em políticas públicas e ampliação das relações internacionais”. Porém, Lula trabalhou para diminuir a resistência à Camargo Corrêa no País.

Em junho de 2013, mais um tour de palestras pagas pela Camargo Corrêa, de acordo com apuração da revista. Lula viajou à Colômbia, Peru e Equador para tratar de uma “América Latina mais justa e igualitária”. O patrocínio da viagem foi de R$ 375 mil ao ex-presidente.

O presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, admite que as palestras são o ganha-pão do ex-presidente. Em entrevista à Veja, Okamotto avisou que a responsabilidade por organizar contratos, logística e valores das palestras de Lula é dele, mas não soube precisar quanto Lula faturou com palestras. Okamotto afirma que o Instituto “cobra um cachê” pelas apresentações.

Em abril, o núcleo de Combate à Corrupção da Procuradoria da República em Brasília abriu uma investigação contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por tráfico de influência internacional e no Brasil.

A investigação visa apurar “supostas vantagens econômicas” obtidas pela Odebrecht entre 2011 e 2014. Foi a primeira vez que o ex-presidente e seus negócios apareceram nas investigações da Operação Lava Jato, que apura um esquema de corrupção dentro da Petrobras da ordem de R$ 6 bilhões.

A nota divulgada pelo Instituto afirma que reportagens estão tentando prejudicar a “imagem e a honra” de Lula e diz que a motivação para isso é “político-partidária”.

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