João de Deus "vai se entregar", garante diretor da Polícia Civil

Contato permanente com defesa do médium é garantia de que há interesse do investigado em cumprir a decisão judicial, diz André Fernandes

Médium não pode ser considerado foragido, diz Fernandes

Médium não pode ser considerado foragido, diz Fernandes

Walterson Rosa/Folhapress - 12.12.2018

O diretor-geral da Polícia Civil de Goiás, André Fernandes, afirmou ao R7, no fim da manhã deste sábado (15), que o médium João de Deus vai se entregar às autoridades. O prazo estipulado inicialmente era até o meio-dia.

"Nós tivemos um contato agora com os advogados e ficou acertado que ele vai se entregar, portanto, afasta essa questão de ele estar foragido", declarou.

Apesar da confirmação de que o religioso, suspeito de abusar sexualmente de mais de 300 mulheres, pretende se apresentar à polícia, Fernandes disse ainda não ter uma precisão em relação ao dia, horário e local onde a prisão será efetuada.

A Justiça de Goiás determinou a prisão preventiva (por tempo indeterminado) na tarde de sexta-feira (14), atendendo a um pedido do Ministério Público. Investigadores chegaram a fazer buscas em 20 endereços ontem, mas não havia sinais do paradeiro de João de Deus.

O contato permanente com a defesa é uma garantia de que há interesse do investigado em cumprir a decisão judicial, reforçou o diretor da Polícia Civil. 

“A Secretaria de Segurança Pública de Goiás informa que as negociações para apresentação de João Teixeira de Faria continuam, sob a responsabilidade da Polícia Civil do Estado De Goiás, para o cumprimento do mandado de prisão expedido contra ele. As buscas continuam sendo realizadas por equipes da Deic. Não há prazo específico para que ele seja considerado foragido. Novas informações serão prestadas assim que houver novidades”, diz nota divulgada pela pasta no fim da manhã.

O processo contra o religioso corre em segredo de Justiça, mas o Ministério Público de Goiás já recebeu cerca de 330 denúncias de mulheres que teriam sido abusadas sexualmente por João de Deus durante atendimentos espirituais na Casa Dom Inácio de Loyola, na cidade de Abadiânia (GO).

O R7 tentou falar com um dos advogados do médium, Alberto Toron, mas havia conseguido até a publicação desta reportagem. Na tarde de ontem, a defesa divulgou o seguinte comunicado: 

"Nota da defesa de João de Deus

1. Na última segunda-feira, dia 10/12/2018, estivemos no MP estadual em Goiania  para obter cópias dos depoimentos prestados pelas vitimas e amplamente noticiados pela imprensa. O pedido foi negado sob o argumento da preservação do sigilo.

2. Agora veio o decreto de prisão preventiva e, estranhamente, nos disseram que o processo fora encaminhado de Abadiânia para Goiânia a fim de que o MP tomasse ciência da decisão. Sim, é importante que o órgão acusatório tome ciência, mas ninguém se preocupou em disponibilizar uma simples cópia da decisão para a defesa.

3. É inaceitável a utilização de pretextos e artifícios para se impedir o exercício do direito de defesa. Sobretudo no que diz com o direito básico de se aferir a legalidade da decisão mediante a impetração de habeas corpus. Até mesmo o número do processo não se disponibiliza à defesa.

4. Que a autoridade judiciária queira impor a preventiva, embora possamos discordar, é compreensível, mas negar acesso aos autos, chega a ser assombroso."