Operação Lava Jato

Brasil Justiça torna José Serra réu pelo recebimento de doação milionária

Justiça torna José Serra réu pelo recebimento de doação milionária

Decisão ocorre poucas horas antes da denúncia de caixa dois contra o senador perder a validade

  • Brasil | Daniela Salerno, da Record TV

José Serra virou réu por caixa dois eleitoral

José Serra virou réu por caixa dois eleitoral

Vivi Zanatta/Estadão Conteúdo - 15.05.2007

O juiz Marco Antonio Martin Vargas, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, acatou nesta quarta-feira (4) a denúncia apresentada contra o senador José Serra (PSDB-SP) e tornou tucano réu na investigação que apura o recebimento de caixa dois no valor de R$ 5 milhões em doações eleitorais não contabilizadas na campanha eleitoral de 2014.

A decisão ocorre poucas horas depois do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), liberar a investigação para a Justiça Eleitoral. Se não fosse aceita, a denúncia também perderia a validade nesta quarta-feira. 

A denúncia da Lava Jato também envolve o fundador da Qualicorp, José Seripieri Júnior, e os empresários Artur Azevedo Filho, Rosa Maria Garcia e Mino Matos Mazzamati. Eles responderão, na medida de suas participações, por associação criminosa, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro, com penas que variam de 3 a 10 anos de prisão.

Leia mais: Justiça determina bloqueio de R$ 5 milhões de José Serra

O esquema foi alvo da Operação Paralelo 23, a terceira fase da Lava Jato junto à Justiça Eleitoral de São Paulo. Nas investigações, a PF (Polícia Federal) constatou indícios de recebimento pelo parlamentar de doações eleitorais não contabilizadas que chegam a R$ 5 milhões.

Os valores seriam repassados por meio de operações financeiras e societárias simuladas para ocultar a origem ilícita do dinheiro. A PF afirma que houve a colaboração espontânea de pessoas que teriam sido contratadas no ano de 2014 para estruturar e operacionalizar os pagamentos das doações eleitorais não contabilizadas.

A investigação contra Serra é baseada no entendimento do STF de que cabe à Justiça Eleitoral a apuração de crimes conexos aos eleitorais. Como o tucano ainda está no exercício do mandato, as investigações, na primeira instância, se restringem aos fatos de 2014.

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