Brasil Kassab vira réu por corrupção, lavagem de dinheiro e caixa 2

Kassab vira réu por corrupção, lavagem de dinheiro e caixa 2

Ex-ministro teria recebido R$ 16 milhões da JBS em contratos fictícios. Ele nega ilícitos e defende legalidade dos pagamentos

  • Brasil | Gabriel Croquer, do R7

Delação premiadas de empresários da JBS iniciou investigações contra o ex-ministro do governo Temer

Delação premiadas de empresários da JBS iniciou investigações contra o ex-ministro do governo Temer

Marcos Corrêa/Presidência da República - 17.12.2018

A Justiça Eleitoral de São Paulo aceitou nesta quinta-feira (11) denúncia do Ministério Público e tornou réu o ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, caixa 2 eleitoral e associação criminosa. Durante o processo, Kassab negou as acusações, alegando que as denúncias são infundadas e defendendo a legalidade dos pagamentos efetuados pelo grupo JBS.

De acordo com a decisão, do juiz Marco Antonio Martin Vargas, Gilberto Kassab teria recebido caixa 2 em troca de favores aos empresários do grupo. Foram R$ 13,5 milhões pagos pelo Grupo J&F, e outros R$ 3 milhões pela JBS, destinados à empresa Yape Assessoria, Consultoria e Debates, que seria controlada por Kassab, em contratos supostamente fictícios.

Estes pagamentos foram realizados entre os anos de 2014 e 2016, época em que o ex-prefeito passou por campanha para o Senado Federal e onde também se tornou ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, no governo Michel Temer. Os pagamentos, de acordo com a decisão, ainda envolviam Flávio Castelli Chueri e Renato Kassab, também denunciados no mesmo processo por supostamente planejar e viabilizar as transferências.

Segundo a defesa de Kassab, estes pagamentos foram efetuados por serviço de assessoria financeira, gerenciamento de compras e treinamento de colaboradores do setor de compras da JBS em matemática financeira. 

O juiz não aceitou a argumentação, considerando a inexistência de relatórios de Auditoria Fiscal da Receita Federal sobre os pagamentos, colaborações premiadas prestadas por Wesley Batista, Ricardo Saud e Joesley Mendonça Batista; além de comprovantes demonstrando as doações, que não teriam sido declaradas à Justiça Eleitoral. 

Denúncia

Depois do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), enviar à Justiça Eleitoral de São Paulo a investigação com base na delação do grupo J&F, Gilberto Kassab seria denunciado em fevereiro de 2021, pelos promotores Fábio Bechara, Everton Zanella, Luiz Ambra, João Santa Terra e Rodrigo Caldeira.

"A denúncia está inserida nas relações de interesse do Grupo J&F com agentes políticos dos Poderes Legislativo e Executivo, agentes públicos, Bancos Públicos e Fundos de Pensão, desde o ano de 2006, com o objetivo de assegurar boas relações, bem como viabilizar a captação de recursos para o financiamento dos seus projetos de implantação e expansão, em diferentes ramos de atividade da economia", diz um trecho da denúncia.

Além da condenação, os promotores pedem a reparação dos danos morais difusos na ordem dos R$ 16,5 milhões supostamente movimentados pelo grupo.

*Com informações da Agência Estado

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