Operação Lava Jato

Brasil Lava Jato avalia recorrer de decisão que liberou dados de hackers a Lula

Lava Jato avalia recorrer de decisão que liberou dados de hackers a Lula

Procuradores tentam impedir uso de dados da Operação Spoofing por terceiros que não foram vítimas dos vazamentos

Agência Estado
Ministro do STF garantiu acesso de Lula aos documentos

Ministro do STF garantiu acesso de Lula aos documentos

Amanda Perobelli/Reuters - 15.11.2020

Sete procuradores da República, ex-integrantes e atuais membros da força-tarefa da Lava Jato, pediram na sexta-feira (22) para ingressarem como assistentes de acusação na ação penal da Operação Spoofing - investigação que mira grupo de hackers que invadiu celulares de autoridades.

O grupo que quer participar do processo que tramita junto à 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal inclui Januário Paludo, Laura Gonçalves Tessler Orlando Martello Júnior, Júlio Carlos Motta, Paulo Roberto Galvão de Carvalho, Athayde Ribeiro Costa e o ex-chefe da força-tarefa em Curitiba, Deltan Dallagnol.

O objetivo dos procuradores é recorrer da decisão do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, que garantiu à defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acesso à íntegra do material apreendido na Spoofing. Segundo Lewandowski, os arquivos apreendidos no âmbito das investigações somam cerca de 7 terabytes de memória.

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Uma vez habilitados nos autos, a estratégia dos procuradores, representados pelos advogados Marcelo Knopfelmacher e Felipe Locke Cavalcanti, seria tentar impedir o uso de dados do processo por terceiros que não foram vítimas dos hackers. Consultados, Knopfelmacher e Cavalcanti não comentaram.

Os procuradores também avaliam, se Lewandowski não revogar a autorização ao petista, pleitear que o caso seja submetido ao crivo do Plenário do Supremo. A premissa central da contraofensiva dos procuradores é que Lula não foi vítima dos hackers - o ex-presidente não teve seu celular bisbilhotado por Walter Delgatti Neto, o 'Vermelho', e seu grupo. Nessa linha, sustentam que o petista não teria legitimidade para conhecer o que há nos autos.

Investigadores ouvidos pelo Estadão acreditam que Lula vai utilizar o material para turbinar a ação em que acusa o ex-juiz Sérgio Moro de agir com parcialidade ao condená-lo no caso do tríplex do Guarujá, levando ao STF indícios de que o magistrado e os procuradores mantiveram contatos fora dos autos que podem contaminar a operação. A análise do caso ainda não foi concluída pela Segunda Turma da Corte.

Ao analisar um pedido da defesa de Lula sobre uma ação da Lava Jato no ano passado, Lewandowski e o ministro Gilmar Mendes atacaram a atuação de Moro à frente da Justiça Federal em Curitiba. Expoentes da ala do Supremo mais crítica à operação, os dois magistrados indicaram voto para declarar a suspeição do ex-juiz ao condenar o petista.

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