Operação Lava Jato
Brasil Lava Jato completa um ano após apurar desvios de, ao menos, R$ 2,1 bilhões

Lava Jato completa um ano após apurar desvios de, ao menos, R$ 2,1 bilhões

Iniciada em 17 de março de 2014, operação da PF está na 10ª fase e já recuperou R$ 500 mi

Lava Jato completa um ano após apurar desvios de, ao menos, R$ 2,1 bilhões

No dia 17 de março de 2014 a PF realizou as primeiras prisões da operação Lava Jato em seis Estados e no Distrito Federal

No dia 17 de março de 2014 a PF realizou as primeiras prisões da operação Lava Jato em seis Estados e no Distrito Federal

Paulo Lisboa/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo

Há exatamente um ano, era deflagrada a operação que descobriu um esquema de desvio bilionário na maior empresa brasileira: a Petrobras.

No dia 17 de março de 2014, a PF (Polícia Federal) realizou as primeiras prisões da Operação Lava Jato em seis Estados e no Distrito Federal.

Com o início em um posto de gasolina da capital, onde existia uma casa de câmbio, as investigações revelaram um esquema de corrupção na Petrobras envolvendo executivos, políticos e as maiores empreiteiras do País.

Em um ano, o MPF (Ministério Público Federal) detectou que os desvios somam R$ 2,1 bilhões, valor que pode ser muito maior com o desenrolar da operação — ontem, o próprio MPF estimou em R$ 4 bilhões o rombo causado pela corrupção na petroleira.

Nesse período, a polícia conseguiu recuperar R$ 500 milhões e bloquear outros R$ 200 milhões em bens dos réus. Foram cumpridos 213 mandados de buscas e apreensões, 55 mandados de condução coercitiva e 69 mandados de prisão. 

Entre os indiciados da Lava Jato está o principal alvo da operação: o doleiro Alberto Youssef, que já havia sido preso e condenado no caso Banestado — um escândalo de remessas ilegais de dinheiro para o exterior nos anos 1990. As investigações apontaram a evasão de US$ 30 bilhões para contas internacionais.

Três dias depois de a operação ter sido deflagrada, outro protagonista do caso também foi detido. O ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, foi preso em sua casa, no Rio de Janeiro, onde foram encontrados, em espécie, US$ 180 mil e cerca de R$ 720 mil. As investigações mostraram relações próximas entre Costa e Youssef. Segundo a PF, Youssef chegou a dar um carro de luxo a Costa.

Na época, os deputados André Vargas (sem partido-PR) e Luiz Argôlo (SSD-BA) também foram apontados como próximos de Youssef, de acordo com as investigações da PF. Após ter sido divulgado que Vargas, então vice-presidente da Câmara dos Deputados, teria usado um jatinho emprestado pelo doleiro para viajar com a família durante as férias, o petista se licenciou do mandato. 

Em outubro, o Conselho de Ética cassou o mandato de Argôlo por indícios de que o deputado teria recebido favores do doleiro. No início de dezembro, por 359 votos a 1 o plenário da Câmara dos Deputados decidiu cassar o mandato de Vargas.

Pouco antes, em setembro, Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef decidiram assinar acordos de delação premiada com o Ministério Público para colaborar com as investigações em troca da redução de penas.

Nos depoimentos feitos ao juiz federal do Paraná, Sérgio Moro, Costa e Youssef revelaram que havia um esquema de pagamento de propina em obras da Petrobras. De acordo com eles, as empreiteiras interessadas em realizar contratos com e estatal tinham que repassar parte do valor para partidos. Foram citados o PT, o PMDB e o PP.

O conteúdo das informações resultaram em 21 pedidos de abertura de inquéritos. Os pedidos de investigações contra 51 políticos foram encaminhados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao STF (Supremo Tribunal Federal) e ao STJ (Superior Tribunal de Justiça). O Supremo é o órgão responsável por julgar pessoas com foro privilegiado, como deputados e ministros de Estado. Ao todo, o relator do caso, ministro Teori Zavascki, autorizou a investigação de 48 políticos e o arquivamento contra sete pessoas.

No STJ, os pedidos de inquérito foram abertos contra 3 políticos. No entanto, o órgão analisará os processos que envolvem governadores e ex-governadores.

Nesta segunda-feira (16) a PF (Polícia Federal) iniciou a décima fase da operação Lava Jato, batizada de "Que País é esse?". O ex-diretor de serviços da estatal Renato Duque foi preso novamente pelos policiais.

Em novembro de 2014, Renato Duque havia sido preso de maneira preventiva em outra fase da operação Lava Jato, da PF (Polícia Federal). No começo de dezembro, os advogados do ex-diretor de Serviços da Petrobras conseguiu a revogação da prisão preventiva, e ele foi posto em liberdade.

CPIs

Eduardo Cunha fala à CPI da Petrobras operação Lava Jato

Eduardo Cunha fala à CPI da Petrobras operação Lava Jato

Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados

Paralelamente às investigações da PF, o Congresso Nacional instalou, em 2014, duas CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) uma mista e uma só no Senado Federal, para investigar as supostas irregularidades na Petrobras.

Em junho, Paulo Roberto Costa, que estava solto por decisão do ministro Teori Zavascki, depôs aos parlamentares e negou a as acusações. No dia seguinte ao depoimento o ex-diretor foi preso novamente por ter ocultado contas na Suíça com depósitos no valor de U$ 23 milhões.

Em fevereiro deste ano, outra CPI foi criada na Câmara dos Deputados. Já foram ouvidos o ex-gerente de Serviços, Pedro Barusco, o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli

Lava Jato em números

Em um ano de diligências, já foram instaurados 330 procedimentos no âmbito da Lava Jato. Ao todo, 494 pessoas e empresas sob investigação e 20 acusações criminais foram apresentadas contra 87 pessoas por corrupção, crimes contra o sistema financeiro, tráfico transnacional de drogas, formação de organização criminosa, lavagem de dinheiro

Os crimes já denunciados envolvem o desvio de aproximadamente R$ 2,1 bilhões, sendo que R$ 500 milhões já foram recuperados. Além disso, R$ 200 milhões em bens dos réus estão bloqueados. Foram cumpridos 213 mandados de buscas e apreensões, 55 mandados de condução coercitiva e 69 mandados de prisão. 

Até o momento 12 pessoas aceitaram fazer acordo de delação premiada e colaborar com as investigações.