Lava Jato: Herdeiro da Odebrecht confirma repasses em espécie a Lula, diz jornal

Depoimento de Marcelo Odebrecht coincide com investigação que aponta R$ 23 mi ao petista

Lava Jato: Herdeiro da Odebrecht confirma repasses em espécie a Lula, diz jornal

Ex-presidente Lula é réu em três ações penais na Justiça Federal

Ex-presidente Lula é réu em três ações penais na Justiça Federal

Pedro Gontijo/28.11.2016/O Tempo/Folhapress

O herdeiro da Odebrecht disse em delação premiada aos procuradores da República que fazem parte da força-tarefa da Operação Lava Jato que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu pagamentos, inclusive em espécie, do Setor de Operações Estruturadas — o "departamento de propinas" da empreiteira. A informação é do jornal Valor Econômico desta quinta-feira (15).

O jornal não infoma os valores repassados pela Odebrecht, mas o depoimento de Marcelo vai ao encontro da investigação do MPF (Ministério Público Federal) e da PF (Polícia Federal, que apontam pagamentos de R$ 23 milhões ao ex-presidente.

Deste total, R$ 8 milhões teriam sido pagos em 2012, "sob solicitação e coordenação" do ex-ministro Antônio Palocci (preso na operação por corrupção e lavagem de dinheiro), conforme o relatório que indiciou o petista.

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Na delação, Odebrecht teria informado também para onde foram os R$ 15 milhões restantes — informação não divulgada pelo jornal Valor Econômico. Lula seria tratado como "amigo" nas planilhas apreendidas na Odebrecht sobre pagamentos a políticos.

Em troca de e-mails e mensagens de Marcelo Odebrecht, também aparecem termos como "amigo de EO" e "amigo de meu pai" — supostamente referências a Lula, amigo de Emílio Odebrecht, pai de Marcelo e proprietário da empreiteira. 

Em nota, a defesa do ex-presidente Lula disse que não comenta "especulação de delação" e que nenhuma das 23 testemunhas escolhidas pelo MPF na ação penal contra o petista por suposta ocultação de patrimônio, no caso do triplex do Guarujá (SP), "confirmou qualquer das teses acusatórias".

Os depoimentos de Marcelo Odebrecht, preso na carceragem da PF, em Curitiba, desde junho de 2015, estão sendo feitos no segundo andar da corporação na capital paraense. Marcelo sempre está acompanhado de seus dois advogados e, ao menos, quatro procuradores da República.