"Limpo por amor", diz voluntário sujo de óleo em praia do Nordeste

Sem se importar com os riscos oferecidos pelo petróleo, voluntário mergulha e trabalha debaixo de sol forte na limpeza de praia no litoral de Pernambuco

Joabe Almeida passa boa parte do dia removendo óleo em praia de Pernambuco

Joabe Almeida passa boa parte do dia removendo óleo em praia de Pernambuco

Márcio Neves/R7

Com boa parte do corpo sujo de óleo, usando materiais de proteção improvisados, o servidor público Joabe Almeida, 47 anos, mergulha na foz do rio Mamuncambinhas, na cidade de Barreiros, em Pernambuco. Como a maré ainda está baixa, ele ainda consegue manter a cabeça para fora da água e, depois de movimentos vigorosos, sai carregando uma grande quantidade de óleo que se misturou à areia no local.

O material retirado vai sendo colocado em um carrinho de mão parado ao lado de uma bandeira do estado de Pernambuco, fincada por ele mesmo. Outros voluntários e equipes da prefeitura ajudam no trabalho que se estende há mais de uma semana, desde quando as primeiras manchas foram avistadas na região.

“Eu limpo por amor ao mar. São 47 anos de praia, e essa espuminha branca é um sorriso do mar pra gente”, diz Joabe sobre o seu empenho.

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Ele, que também faz parte de uma ONG para retirada de lixo das praias, diz nunca ter visto um desastre ambiental destas proporções em sua região.

“Uma tristeza imensa quando vi esse óleo, cheguei a chorar. Sabe, o meio ambiente tá na minha pele, no meu sangue. Em 30 anos eu nunca vi um desastre dessa dimensão”, lamenta, sentado na areia olhando o local onde estima-se haver  muitas toneladas de óleo ainda.

Quando questionado sobre os riscos de não usar equipamentos de proteção mais completos e do contato com o petróleo, considerado por técnicos perigoso para a saúde humana, ele pondera.

“O risco está em qualquer lugar, quanto alimento industrializado por aí não é um veneno? Não é mesmo?”, diz com as pernas e parte da camisa sujas do material.

O voluntário lembra ainda que o trabalho é importante.  “Não dá para esperar ninguém”, diz ele, ressaltando que boa parte da extensão da praia foi limpa, mas que a foz e o mangue merecem atenção, pois é onde peixes e mariscos costumam se reproduzir.

Enquanto Joabe e outros voluntários e profissionais da prefeitura e até do Exército trabalhavam na remoção do óleo, vários cardumes de sardinhas eram vistos no local, segundo ele, para se reproduzirem.

“É triste, pois até agora não descobriram quem fez este crime de proporções enormes”, conclui o voluntário um pouco antes de encerrar a entrevista, pegar suas ferramentas e voltar ao trabalho.

Ele não tem medo e não se preocupa em entrar em contato com o petróleo

Ele não tem medo e não se preocupa em entrar em contato com o petróleo

Márcio Neves/R7